Há poucos dias realizou-se, entre nós, o Congresso Internacional dos 500 Anos da Diocese do Funchal. Esta iniciativa, inserida nas “celebrações” da passagem do quinto centenário da fundação da Diocese do Funchal, pretendeu ser uma reunião científica, com a presença de grande diversidade de estudiosos e investigadores, que trouxesse um importante e decisivo contributo para o conhecimento aprofundado da história desta Diocese, para a análise crítica do seu presente e para o perspetivar do seu futuro. Considero que conseguiu concretizar globalmente os motivos que justificaram a sua realização e os objetivos pretendidos.
Conseguiu, de facto, reunir um numeroso grupo de pessoas com interesses em comum, que abordou determinados assuntos, comunicou trabalhos, apresentou propostas, trocou ideias, indicou questões pendentes e desafiou quem estava na assembleia. É verdade! Podia ter sido feito de outra forma. Claro que sim! É sempre possível fazer “as coisas” de uma outra forma. Sobretudo, é muito fácil afirmar que se podia realizar uma iniciativa de modo diferente ao que aconteceu depois desta já ter ocorrido.
É preciso igualmente conhecer aqueles que foram os motivos e os objetivos definidos para a sua realização, já que estes determinaram todo o processo de planificação, organização e concretização desta iniciativa. Não se pode exigir que este Congresso seja aquilo que nunca foi sua intenção ser, nomeadamente, um encontro pastoral, um Sínodo, ….
Centrou-se na análise e no estudo da riquíssima história da Diocese do Funchal, nos seus diferentes aspetos, enquanto primeira diocese portuguesa da Igreja Católica instituída fora da Europa, com uma dinâmica de evangelização em diversos cenários do globo. E a história, como sabemos, oferece inúmeras possibilidades para a educação e para a cidadania tendo em consideração que as variáveis tempo e espaço interagem para a perceção da identidade, especialmente na compreensão das raízes culturais, na significação do presente e na fundamentação do futuro. Partindo desta realidade histórica, estão abertas as portas para a discussão e posicionamento crítico face às realidades sociais atuais, bem como para o desenvolvimento da sensibilidade estética e da criatividade. Do mesmo modo, o desenvolvimento do espírito de tolerância, solidariedade e de diálogo, assim como o entendimento dos direitos humanos e das diferenças culturais dos povos são imprescindíveis para o desenvolvimento da sociabilidade e do espírito democrático.
Assim, a compreensão da história e dos factos históricos que a compõem, tendo por base os condicionalismos culturais, políticos, religiosos, demográficos e económicos e o papel desempenhado pelas instituições, pelos grupos e pelos indivíduos, são o substrato para a análise e a intervenção cívica, política, ética e democrática a que cada pessoa está sujeita no seu quotidiano. É decisivo dotar as pessoas das competências para visualizar os factos, relacionando-os e permitindo-lhes a elaboração dos mapas mentais do meio em que vivem, comparando-o com outras realidades, para além de as posicionar criticamente sobre as suas decisões e ações.
Considero que este Congresso foi, entre muitas coisas, um importante contributo para uma leitura da realidade da história da Madeira e da Igreja diocesana. Outras leituras e abordagens podem e devem ser feitas. Ficamos, então, à espera que outras iniciativas e projetos possam passar das palavras aos atos: não podemos esperar por outros 500 anos!
Marco Gomes Director Pedagógico da APEL