Conceição Pereira Acabaram-se as primárias, espera-se as secundárias. Já a saga da justiça está longe de terminar. O serviço Nacional de Saúde está cada vez mais de pantanas. As contas do 1º Ministro não podem ser vasculhadas, só as do cidadão comum.
Mas hoje venho falar sobre Educação e Ensino. Se um governo é minimamente progressista, se pretende que o País avance no bom sentido, se desenvolva, pensa em primeiro lugar no Ensino e Educação, como estratégia de futuro e desenvolvimento. A principal obra da 1ª República Portuguesa foi promover o Ensino para tirar a população do analfabetismo. Nessa época, ensinava-se às crianças, na escola, uma cantiga: “Vamos para a escola/Vamos trabalhar/ A nossa Riqueza /Vamos semear/É na escola querida/Que devemos começar”.
Veio a ditadura e cortou logo no sector da Educação. As Escolas de Magistério Primário, que até há pouco tempo formavam os professores primários, estiveram fechadas durante 4 anos, por ordem de Salazar.
Com o 25 de Abril, o sector da Educação avançou bastante, apesar de ainda haver algumas lacunas e a RAM foi a última região do País a ter Universidade. Mas houve um grande incremento neste sector, combateu-se o analfabetismo e temos hoje a geração mais escolarizada e mais bem formada da nossa História.
Mas a burguesia nacional e internacional deitou contas à vida e decidiu que Portugal estava a avançar muito depressa, que deve continuar a ser um país de pobres e ignorantes, só com alguns sabedores e exploradores e não deve ter uma Escola Pública superior à escola privada.
Porquê? Porque a Escola Pública é mais democrática, as massas populares têm mais acesso ao Ensino e os privados querem fazer mais negócios também nesta área. Não se pense que é apenas por incúria que os professores não foram colocados nas escolas a tempo horas. Ainda ontem li no DN uma carta de uma mãe do Curral das Freiras a declarar que já tinha matriculado a filha ou o filho numa escola privada por causa das anomalias existentes na escola da Freguesia...
E a minha experiência diz-me que as escolas privadas, na generalidade, são piores que as públicas. Não há concursos para professores, escolhem quem querem e recebem os alunos que querem e podem pagar. É um negócio.
Quando eu trabalhava na Gonçalves Zarco, no Batalhão, a escola recebeu duas alunas vindas de um colégio conceituado que eu não vou dizer qual. Essas alunas fizeram a pré-primária e a primária nesse colégio e passaram para o 2º ciclo. Reprovaram o 5º ano, repetiram e tornaram a reprovar. E não puderam mais frequentar o colégio. Se as escolas públicas enviassem para as privadas os alunos com reprovações, veríamos o que aconteceria aos colégios “finos”! Uma das alunas atrás referidas apresentava algumas dificuldades mas, com muito esforço e trabalho pedagógico ela passou com êxito o 5º e o 6º anos. A outra aluna era excepcional, como pessoa e como estudante. Foi uma das alunas brilhantes da escola. Os pais dela tiraram as outras duas filhas do colégio e matricularam-nas em Escolas Públicas porque acharam que elas aí estariam melhor que no colégio.