Elisa Mendonça No passado dia 28 de Setembro, dei entrada nas Urgências do Hospital Dr. Nélio Mendonça, com um quadro clínico complicado a nível pulmonar. Pernoitei na sala de observação do Serviço de Urgências e só posso estar eternamente grata por todo o profissionalismo, atenção, dedicação e carinho demonstrados por toda a equipa médica e de enfermagem, bem como os assistentes operacionais que estavam de serviço nessa noite e que me prestaram assistência.
Num Hospital onde os bens mais essenciais escasseiam, como as notícias que vêm a público e o que pude constatar in loco bem o demonstram (falta um pouco de tudo, desde copos de plástico a mantas e cobertores - a título de exemplo, passei a noite com um robe a fazer de manta), onde abundam buracos nos tectos e pinga água, entre outras falhas e lacunas, é de louvar o trabalho, a dedicação e a entrega das equipas de serviço, que tudo fazem para que os utentes não se sintam prejudicados pelo que falta ou está mal nos serviços hospitalares.
A juntar a tudo isto, o Governo Regional vem novamente implementar taxas moderadoras, as quais servem somente para que os doentes adiem em dias preciosos as necessárias idas às urgências (senhores governantes, NINGUÉM vai às urgências em passeio ou por capricho!), acarretando assim custos superiores ao Estado e aos próprios doentes. E claro está que não deixa de ser caricato pagar uma taxa moderadora para ser atendida num edifício em avançado estado de degradação, e em serviços onde faltam materiais básicos.
Por todo este cenário, é preciso louvar todos os profissionais que exercem a sua profissão nestas condições lastimosas, com profissionalismo e sentido humano. Em 2010 estive internada com Gripe A, e na altura os agradecimentos ficaram por fazer; agora, aproveito este espaço para concretizá-los, e partilhar com todos os leitores um episódio que nunca me saiu da cabeça: em 2010, estando internada na ala de Doenças Infecto-Contagiosas do Hospital dos Marmeleiros, uma das pacientes que ali estava teve alta e vi a auxiliar a “desinfectar” essa cama, resumindo-se esse processo a uma limpeza com água e sabão. Perguntei-lhe se não deveria ter um desinfectante próprio para aquele tipo de limpeza, ao que ela me respondeu que, de facto, assim deveria ter sido, só que, infelizmente, tal produto não estava disponível, e que, sendo assim, teria que se limitar apenas a uma simples lavagem com água e sabão. Mas ficou-me retida a imagem da auxiliar a transpirar enquanto esfregava a cama, como uma energia e rigor de tal ordem que fazia crer que ela acreditava que se esfregasse tudo muito bem, ia matar todos os micróbios. Já na altura se dizia que o que segurava o Hospital dos Marmeleiros era a fita adesiva, pois a fita adesiva tudo consertava e tudo mantinha de pé. Pois… mas a dedicação e o espírito de entrega e de sacrifício dos profissionais da Saúde também ajuda a suprir muita coisa.
Haja respeito pelo sector da Saúde, haja respeito pelos seus profissionais, haja respeito pelos contribuintes e utentes. E que uma das formas de expressar esse mesmo respeito seja garantir que não haja dinheiro para obras infundadas e gastos supérfluos, quando na nossa Região, cujos governantes gostam de fazer passar uma imagem de terra desenvolvida, persistem cenários nos hospitais e centros de saúde (e não só) que mais parecem do Terceiro Mundo. Mais uma vez, a todos – médicos, enfermeiros e assistentes – o meu muito obrigado.