Eis alguma reflexão sobre o próximo acto eleitoral. Não sendo candidato nestas eleições tenho, talvez, o distanciamento necessário para alguma frieza analítica. Na óptica dos resultados naturais (aqueles que resultam de circunstâncias normais, sem intervenção de factores ocasionais significativos), o que há a esperar destas eleições no Funchal? O eleitorado madeirense não tem mostrado ser um eleitorado com grande dinâmica. Há uma forte inércia e um conservadorismo no eleitorado, como se pode ver das sucessivas maiorias absolutas e do controlo, pela mesma força partidária, da cidade-capital e de todas as suas juntas de freguesia. A situação, por comparação, é bem diversa da que se observa na Região Autónoma dos Açores, em que a oposição domina a capital e diversas freguesias em Ponta Delgada como ao longo da Região. Como também o eleitorado açoreano já experimentou (e gostou…) a alternância democrática... Nas circunstâncias históricas de um eleitorado ‘passivo’, seria uma grande surpresa uma perda da maioria por parte da força dominante. Mas já não será tão pouco expectáveis algumas mudanças significativas que prenunciem alterações estruturais na política madeirense, a começar pelo facto de nenhuma força concorrente obter maioria absoluta no Funchal. Porque o eleitorado tem sido abanado pelas crises internas e dissensões no PSD-M. Porque, pela primeira vez, uma muito larga coligação de forças partidárias se apresenta a votos. Porque muitos cidadãos independentes dão, desta vez, a cara. Porque a governação regional do PSD-M é, agora, uma menos-valia evidente. Porque a governação nacional afecta seriamente a imagem do PSD-M e do CDS-M (herdeiro natural do eleitorado conservador laranja). Qualquer que seja o resultado, fica aquela máxima aplicável a todos os que encabeçaram as lutas democráticas na Madeira no passado como no presente: “Nem tudo o que enfrentamos pode ser mudado; mas nada pode ser mudado enquanto não for enfrentado…”.
Maximiano Martins Deputado do PS na ALRAM