É aquele tempo do ano, início do ano lectivo... Altura de querermos algo mais para os nossos filhos, altura de sonharmos com um futuro para eles, enquanto combinamos horários e transportes familiares, altura de levarmos os miúdos experimentarem algo que se possa tornar numa mais-valia na vida deles – uma arte, talvez – e porque não a música... sim, que seja a música! E então faz-se a matrícula, consegue-se um horário mais ou menos de jeito e depois – começam as aulas de música. Vai uma semana, vão duas, vai um mês, vai um período... A rotina começa a sugar a força e atenuar o entusiasmo, a vida, de vez em quando, faz das suas, as exigências da escolaridade obrigatória ocupam o tempo inteiro e, dentro de pouco tempo, o mundo dos sonhos começa a desintegrar-se ao passo que a cor do quotidiano muda de rosa para a cinza. E cá vem aquela ideia de desistência, de anulação da matrícula, de porque complicar a vida, de talvez será mais fácil recomeçar no próximo ano quando a vida for mais amena... E cai por terra mais um instrumentista talentoso, mais um ouvinte interessado, mais um ser humano realizado. E não era preciso! Se os pais apenas soubessem quão pouco falta para evitar este desfecho! É só não deixarem de acreditar: acreditar no instinto visceral, acreditar na capacidade dos filhos e na sua própria e saber criar um clima de interesse genuíno no seio da família. Não é preciso ter educação musical para se interessar pela actividade e progresso dos filhos, é preciso assumir o compromisso e dar o apoio. Não abandoneis mas sim amparai! Um dia, os vossos filhos agradecerão a vossa perseverança e tenacidade, nos momentos mais atribulados e inevitáveis, se nada mais por lhes terdes ajudado a evitar aquela sensação de enorme e irrecuperável perda e vazio, sentidos por todos aqueles que, sem um motivo propriamente válido, abandonaram a sua educação musical algures pelo caminho. Pois, ensinar a disciplina é uma manifestação patente do amor parental!
Robert Andres Musicólogo