Não posso deixar de saudar todos os docentes da Região Autónoma da Madeira, em especial os colegas que ficaram desempregados e se veem agora confrontados com uma realidade presente muito difícil. A toda a comunidade educativa votos de um ano sereno e de sucesso. Também para os pais e alunos, que continuem a confiar na escola e nos seus professores numa perspetiva de parceiros na construção do futuro. A abertura deste ano letivo ficou marcada por uma grande instabilidade nas escolas e na vida de muitos professores, decorrente do processo de colocações tardio e moroso. Nas vésperas de iniciar o ano letivo havia centenas de professores que ainda não conheciam a escola onde iriam lecionar; outros desconheciam o seu horário. Muitas escolas não puderam preparar-se convenientemente pois não tinham ainda os recursos humanos e materiais necessários para um bom arranque do ano. Não obstante, o profissionalismo dos autores envolvidos assegurará um bom funcionamento das escolas no ano letivo em curso. Este ano fica também marcado pela redução de docentes contratados. Em 2 anos o número de renovações de contrato diminuiu em 20% (cerca de 400 profs), apesar do sistema ter perdido largas dezenas de docentes por conta da aposentação. As circunstâncias económicas do país e o desemprego, que forçaram muitas famílias a emigrar ou retirar a suas crianças dos estabelecimentos de ensino, a juntar à redução demográfica, são fatores da diminuição da população estudantil, já o sabemos. Na educação pré-escolar esta redução é ainda mais acentuada porque não sendo um nível de frequência obrigatório as dificuldades económicas das famílias levam-nas a retirar as crianças das escolas. Este ano escolar está também marcado por mais uma ameaça ao futuro da educação e da escola públicas, com o governo da república a reforçar o financiamento das escolas privadas e a desinvestir, de forma assustadora, na escola pública, a única que garante a igualdade de acesso. A livre escolha já hoje se faz. Comparando os resultados das escolas com contrato de associação com as escolas públicas verifica-se que os resultados são idênticos. As escolas privadas só apresentam melhores resultados porque selecionam os seus alunos. O papel fundamental das escolas públicas tem sido estreitar a distância entre ricos e pobres em termos de desempenho académico, fator fundamental para a justiça social. Hoje, dia 25 de setembro, o setor dos Aposentados do SPM realiza uma concentração pelas 14:30, no Funchal, com o objetivo de defender uma aposentação digna de quem já se encontra em situação de a usufruir, como para aqueles que a venham a gozar, e contra os tremendos cortes no valor da aposentação. O mote está lançado: “Quem não luta pelo seu futuro, deve aceitar o futuro que vier.”
Sofia Canha