Confesso que fiquei atónito com a notícia de que o ensino da língua inglesa poderia deixar de ser obrigatória no 1º ciclo (1ª á 4ª classe), passando a ser obrigatório apenas no 2º ciclo (5º e 6º ano) e 3º ciclo (7º/8º/9º ano). Os alunos têm mais facilidade em aprender línguas apenas no 2º ciclo? As escolas serão “livres” para adotar o ensino do inglês no 1º ciclo, mas como não há colocação de professores, depressa depreendemos que não será lecionado. Até como “Atividade de Enriquecimento Curricular” deixará de ser obrigatório! Não compreendo mesmo. Sendo assim, ainda entendo menos, o porquê de ser obrigatório no final do 3º ciclo, uma prova nacional de inglês? Isto está tudo errado. Desculpem-me, posso andar muito distraído, mas o inglês não é a língua oficial da União Europeia, das Nações Unidas e de muitas organizações mundiais? É o terceiro idioma mais falado em todo o mundo, como primeira língua, depois do mandarim e espanhol. Que tal perguntarem às escolas que ensinam línguas estrangeiras aos seus alunos, desde muito cedo (5/6 anos), para verem o sucesso que tem? Só há uma explicação: a racionalidade de custos! Por este andar, não vamos longe. Há famílias inteiras a saírem do país, para ir trabalhar para o estrangeiro. O nosso primeiro-ministro, incentiva a sair do país como forma de procurar novas soluções de vida e novos desafios e depois subscreve uma política de redução de custos, penalizando o ensino do inglês? Deveria era ser obrigatório, o inglês e o espanhol, já desde o 1º ciclo, aí sim, ficaríamos com duas línguas, faladas em todo o mundo e muito mais habilitados para novos desafios. Engraçado foi saber que, até o presidente do AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo Português), continua a promover Portugal e a usar como forte argumento para cativar investimento externo em Portugal, o ensino obrigatório do inglês na primária. Andam uns a remar para a frente e outros para trás… Criam-se “Goldens Visas” para atrair estrangeiros para Portugal, incentiva-se a saída dos portugueses para a emigração, em nome da racionalização de custos abandona-se o ensino do inglês e ainda falam na qualidade do ensino, qualificação de jovens e empreendedorismo? Sabem que os principais cursos superiores, lecionados nas universidades portuguesas, têm os manuais em língua inglesa? Num país que vive muito para o turismo e do turismo, não se investe no ensino de línguas estrangeiras? Têm é de começar desde cedo, desde o 1º ano, no 1º ciclo, e em minha opinião, reforço, com o inglês e com o espanhol!

Pedro Calado Vice-presidente da CMF