Um colectivo de juizes de Aveiro considera que um alcoolizado tem melhor desempenho. Juiza (Santarém) determina: bater na mulher não é crime. Paróquia (E.C.Lobos) coloca Câmara Municipal em tribunal por causa de Fontanário. Porto da Cruz, briga, por causa de paragem de autocarro. “Guerra” pela posse do viveiro de trutas do Ribeiro Frio entre Machico e Santana. Já nada me espanta. Afinal estamos em Portugal. Um partido politico (BE) resolveu colocar na sua agenda a discussão sobre o Piropo, considerando-o assédio , atentado á dignidade da mulher e, daí, toca a considerá-lo crime. O piropo segundo o dicionário poderá ser um elogio ou galenteio. Aliás sempre entendi como tal. Ofensas verbais não são piropos, já constituem crime na lei. Prometo que perante “monumentos” não mais balbuciarei tamanhas blasfémias, tais como, “e dizem que é só no céu que há anjos” ou “as flores fugiram do jardim”. Jamais ouvirei o meu amigo Buzico do acordeão mágico ..”grossa...grossa..és boa como o milho” Analisando a douta iniciativa par(a)lamentar, terríveis dúvidas assolaram a minha inteligência, que gostaria de ver esclarecidas sob pena de eu próprio requerer a sua inconstitucionalidade junto do Tribunal Constitucional. Será crime o piropo da mulher para o homem? Ainda hoje sou “vítima” de expressões, agora, ofensivas. Compreendo a dificuldade em resistir ao meu charme, mas aviso-as, que serei implacável cumpridor da lei do piropo. Será crime o piropo entre pessoas do mesmo sexo? Considerando-me abstémio nessa matéria, e respeitando as opções pessoais, não poderá, obviamente, haver excepções , sob pena de ferir o principio da equidade. De excepções já nos bastam os magistrados e juizes e outros que ficam com as suas pensões intocáveis. Os mais beneficiados serão os árbitros. Os adeptos que se cuidem. Os árbitros de futebol e demais modalidades vêm reconhecida uma justa pretensão, o respeito pela sua dignidade humana. Os habituais piropos, dirigidos ás mães, pais ,esposas, filhos e irmãs dos árbitros serão erradicados dos estádios . Aconselho os expectadores a colocarem um adesivo na boca. Farei o mesmo. Apenas uma contraindicação nesta lei. A ser aplicada com rigor os estádios ficarão vazios e as cadeias cheias. Se eu não vivesse numa linda e maravilhosa, gritava “ Eu quero ir para a ILHA”.