Por certo muitos contribuintes gostariam de receber ao fim de cada ano um recibo do Estado onde viesse discriminado qual foi o uso que foi dado aos impostos que pagámos, o seu custo e o montante que ficou por pagar. Assim veríamos quanto é que cada atividade do Estado custa a cada um e poderíamos apreciar ou criticar o modo como o que somos obrigados a pagar é usado pelo Estado, seja Governo Central, Regional ou Municipal ou outro beneficiário dos nossos impostos.
No rol das despesas iria aparecer uma parcela não insignificante correspondente aos juros e outros custos financeiros que resultaram de despesas feitas no passado e que, como não foram pagas, temos agora que pagar. Nestas despesas estão muitas obras que estão incompletas, como alguns túneis e viadutos que não levam a lado nenhum, ou que não têm muita utilidade, como são algumas das autoestradas onde poucos carros passam (espero que estes erros não continuem no futuro!).
Nesse rol também veríamos quanto é que gastamos anualmente em festas, beberetes e outras atividades que pouco têm a ver com as funções do Estado mas que servem para “atrair” votos ou apoios. Se multiplicarmos o concerto do Tony Carreira no Funchal, que dizem que custa mais de 40 mil euros, por todos os concertos que houve durante este ano pagos pelo erário público ou por ele comparticipados talvez ficássemos com uma ideia de quanto se gasta mal. Claro que o valor deste gasto em festas (ou em inaugurações e afins) talvez seja pouco no total da conta que pagamos mas em tempo de controlo de despesas é essencial não se fazerem gastos injustificados.
O Estado está grande demais e, como tivemos que fazer nas nossas vidas, tem que cortar em tudo o que puder. As festas são bonitas mas não podemos esquecer que somos nós que as pagamos, não quem nos convida e que depois é quem aparece nas fotos junto dos artistas.
Custa-me a acreditar que os portugueses preferem que se lhes corte as pensões e as reformas, os subsídios de desemprego, os apoios às famílias carenciadas, que lhes aumentem muito os impostos a acabarem com tanta “festança”, por isso estou esperançoso que a 29 os eleitores escolham aqueles que nesta campanha mostraram que para eles acabou a festa!
Pedro Telhado Pereiras