Faltam apenas onze dias para as eleições autárquicas. Este sufrágio sempre foi um dos parentes pobres da democracia portuguesa, sem o peso e a relevância das legislativas e das presidenciais. Mas desta vez, pelo menos na Região Autónoma da Madeira, revestem-se duma importância fundamental. Está em jogo a possibilidade de infligir a primeira derrota nas urnas ao partido que dominou de forma avassaladora todas as eleições desde o 25 de Abril. A Madeira nunca conheceu outro poder, nunca saboreou a alternância. As escassas excepções ocorreram precisamente em eleições autárquicas, no Porto Santo e em Machico, e quem não tem memória curta sabe bem que o estrangulamento financeiro e a perseguição constante “forçaram” os eleitores desses concelhos a retroceder no sentido de voto. Desta vez, há o risco desta situação voltar a acontecer, desta feita em Santa Cruz. O Movimento Juntos pelo Povo, fruto do excelente trabalho que desenvolveu nos últimos anos, e graças ao carácter, humildade e coragem do seu presidente Filipe Sousa, é o principal candidato a vencer as eleições, e em toda a linha. Gaula já teve oportunidade de provar o doce sabor da liberdade, e nas restantes freguesias sente-se uma adesão e um entusiasmo que são contagiantes. O candidato do PSD não consegue soltar-se do lastro de perdedor antecipado, e nem o “forcing”de secretários regionais e Presidente do Governo têm sido suficientes para parar a onda verde que a cada dia que passa espalha a esperança por todo o concelho. Sintoma do desespero que grassa nas hostes social-democratas, começou o vale-tudo: boatos rasteiros, calúnias infames, acusações infundadas, e sempre aquela impiedosa máquina de desinformação, agora mais perra mas ainda eficaz, a tentar condicionar o sentido de voto e a tentar amedrontar os eleitores de Santa Cruz. A mais recente estratégia é bradar aos quatro ventos que se o JPP ganhar, o Município entra em insolvência. Nada mais falso. Foram as sucessivas vereações do PSD que levaram o concelho a uma situação calamitosa, que provocaram a dívida astronómica, que quase hipotecaram o futuro de Santa Cruz. Não fosse o trabalho e a dedicação dos vereadores do JPP, e muitos mais seriam os negócios ruinosos, sempre em benefício dos mesmos discípulos da “Mamadeira”. Então faz algum sentido manter os destinos do concelho nas mãos de quem o enterrou? Vamos manter estas velhas raposas a guardar o galinheiro? Mas queremos continuar a ser depenados? Claro que não! O Movimento Juntos Pelo Povo já afirmou que pretende levar a cabo uma rigorosa auditoria externa às contas do Município, e que melhor prova de isenção e responsabilidade pode haver? Não há remédios infalíveis, nem somos santos milagreiros, mas acreditamos que com seriedade, rigor e transparência, seremos capazes de recolocar Santa Cruz no lugar de destaque que merece. Com espírito de entreajuda, com políticas de inclusão, promovendo a solidariedade, incentivando o turismo, coligando as forças vivas do concelho e remando todos na mesma direcção. O nosso principal adversário é a abstenção, porque o medo felizmente é cada vez mais coisa do passado. Que ninguém acredite que “isto está no papo”. Que ninguém fique em casa no dia 29. A força do voto é que pode fazer a diferença, e todos contam para ajudar o JPP a fazer história. Mas lanço um importante alerta a todos os eleitores madeirenses. Há muitos concelhos onde é possível mudar a cor do mapa político da Região. No Funchal, em Santana, em Câmara de Lobos e no Porto Santo a contagem dos votos pode trazer muitas surpresas. Na Ribeira Brava, na Calheta, em Machico e em São Vicente as maiorias podem ser escassas, rasando o empate técnico. E até no Porto Moniz e na Ponta do Sol pode passar a haver um fiel da balança. Falo naturalmente no CDS, que não nos esqueçamos, é o principal partido da oposição regional, e que por isso tem condições para ser o verdadeiro aglutinador de votos dos descontentes. Em suma, a melhor opção para quem pretende que o seu voto seja útil. Pode não ter a “Mudança” no nome, mas é o partido que melhor a pode tornar realidade. Que Santa Cruz não esteja só na hora de cantar Vitória, é o meu desejo e o meu apelo. Este é o momento…

Raul Ribeiro