Está na altura de virar a rama! Embora neste mês de Setembro o tema de conversa mais comum, por estas bandas é as vindimas e tudo o que elas diz respeito, um dia destes, num dos estabelecimentos comerciais da Santa do Porto Moniz, quando se “discutia” a qualidade das uvas de um e de outro sítio, eis que de repente o João da Fonte, em tom apressado, muda de assunto e diz que “tenho de ir mas é virar a rama”. Para espanto de todos, fala o elemento mais novo do grupo, o Alberto, é um nortenho, mas raramente aparece por cá, praticamente só no mês de Agosto. Faz parte daqueles a que alguém já chamou de “agosteiros”: são naturais do norte mas residentes noutras localidades e só aparecem por cá na altura dos arraiais de verão. Então, pergunta o Alberto em tom de ignorância: - Virar a rama? O que isso? O João, que sabe do que fala - e, segundo ele, percebe de economia rural, - admira-se com a falta de conhecimentos do seu amigo. - Não sabes o que é a rama? - Então não sei! É uma empresa de ração e milho ou qualquer coisa para cães e gatos- responde o Alberto em tom de brincadeira. - Oh rapaz! Nada disso! A rama da batata-doce, da barbiça, da teixeira da arrouba, da inglesa, ou… Então agora há tanta variedade!... Há de batata de ano, de três meses, umas vermelhas, outras mais alaranjadas…. E a rama de ano cá tem de ser virada pelo menos três vezes, senão vai enraizando e não dá batata de jeito. Esclarecida a questão, alguém começa a desconversar e diz: - Pois, tens razão João. Há muita gente que plantou rama de ano, nunca a virou, agora vai cavar e não tem nada. As batatas nem para deitar aos porcos prestam. - Este mês é bom para isso. Quando acabar esta fossada da vindima, mais para o fim do mês, vou virar a que plantei ao pé da escola - constata outro. O Jorge, que este ano teve algum trigo, interrompe para dizer: - Eu não quero mais saber dessas batatas de ano, sim essas que são meias alaranjaradas depois de cozidas. A rama toma muito vício e já nem há vacas para comê-la. Lá mais para perto do Rosário vou aproveitar a terra de trigo ou pé da junta de freguesia, para plantar batata de três meses, a ver se me dá menos trabalho e mais batatas. Se não provar, não preciso de estar tanto tempo à espera para experimentar outra coisa.
Joel