Estamos a meados de setembro, a cerca de quinze dias das eleições autárquicas que farão eleger os representantes do povo aos órgãos de poder local, câmaras e freguesias, que exercerão o governo de proximidade, o governo da nossa vida diária e do contexto em que a mesma se desenvolve, no fundo, da vida em comunidade. No caso da Madeira, as câmaras e freguesias quase sem excepção têm vivido dependentes do Governo Regional, não só em termos de contratos-programa para a realização de obras e melhoramentos diversos, mas também das opções políticas dos seus responsáveis, retirando autonomia e poder de decisão própria aos seus autarcas que assim permitem que se limite a sua capacidade de tomarem as decisões mais acertadas ou mais de acordo com as reais necessidades das populações para obedecerem quantas das vezes a meros critérios eleitoralistas do governo da Região. Por isso, é caso para dizer, chegou a hora de tentar alterar este estado de coisas e devolver a iniciativa aos cidadãos livres e responsáveis das 51 freguesias que compõem o território da Região Autónoma da Madeira. Chegou a hora, portanto, de dizer basta à alienação da capacidade dos madeirenses intervirem nas decisões que lhes dizem respeito e serem capazes de dizerem não a quem os governa, porque, sabemos agora, não são imunes à crítica. Chegou a hora de tomar consciência de que nem sempre tudo o que foi feito foi o que deveria ter sido, e ao custo mais eficiente. Chegou a hora de reconhecer que se fizeram obras apenas para sustentar uma economia sem bases sólidas ainda por cima tentando esconder dos cidadãos que teriam de ser pagas por todos (e não por quem decidiu fazê-las) á custa da diminuição do seu rendimento e do aumento do preço dos bens que têm de adquirir para alimentar-se e viver com um mínimo de dignidade. Chegou a hora de ser ou sentir-se obrigado a votar no PSD para ter um emprego, uma casa, um cuidado de saúde ou a própria reforma (!) como se tal não fosse um direito universal que lhes assiste e antes dependesse do governo em funções ou da vontade de um homem mesmo que «o único importante». Chegou a hora da própria Igreja, de acordo com a doutrina e a prática do Papa Francisco, não tomar o partido de qualquer partido e deixar á consciência de cada um a opção pela orientação da sua vida colectiva. Chegou a hora, enfim, de penalizar quem foi autor ou cúmplice desta estratégia, ou seja, chegou a hora de não dar o voto a quem governa a Madeira de forma autocrática há mais de 35 anos, desprezando tudo e todos, no caso, o PSD. Chegou assim a hora de dar oportunidade a outros e de ponderar, em cada freguesia e em cada concelho, qual a força política da oposição mais capaz de ganhar as eleições respectivas e mudar de uma vez por todas o rumo discutível que vêm tomando e que tanto sacrifício, ou negação, está a causar aos seus residentes.

Nuno Jardim Fernandes Gestor