Ver um líder partidário e chefe de Governo há mais de 35 anos, dedicar toda uma conferência de imprensa, em que deveria relatar as decisões do órgão executivo do partido para umas eleições que estão à distância de poucas semanas, a insultar e atacar um jornal, é patético. Mesmo que o visado não o mereça, dá pena. Uma pena igual à que provocam aqueles cantores, deformados por operações plásticas, que tentam cantar e convencer-se de que ainda têm glória.

Em tempo de grandes dificuldades, com um Povo atormentado pela austeridade, o desemprego, o regresso à emigração e o desespero, é quase anedótico ouvir falar de maçonarias, Madeira Velha e Nova, colonos e feitores e toda uma série de tontices. Bravatas que já serviram para alegrar o povo e fazê-lo esquecer e ignorar as incompetências de quem governa, mas que agora não servem. Em quase 40 anos, o nível cultural, mesmo que tudo tenha sido feito para o travar, melhorou.

Só o desespero, baseado em previsões eleitorais que devem ser mais precisas do que as sondagens, pode explicar tanto desnorte. Um desespero que até confunde os mais próximos.

Também só por desespero, medo de perder mordomias, é que se pode chegar ao extremo de chamar ‘dementes’ a todos os que não votarem no partido de sempre, como escreveu um dos produtores de opinião oficial.

As sondagens conhecidas não são favoráveis, é verdade, mas não são tão más que justifiquem estes comportamentos. Provavelmente há informações ainda mais tenebrosas…