Nem tudo foi péssimo no ano passado. Nem tudo é óptimo em 2013. Mas, claro é que estamos bem melhor do que em 2012. São vários os bons sinais no turismo da Madeira. i. A DRT, finalmente, pagou à AP Madeira os 1,5 milhões de euros que devia desde 2010/11. A acrescer, a DRT dotou a AP Madeira com um adicional de 1,1 milhões de euros, quando, em 2012, se cifrou, apenas, em 500 mil euros. ii. As estatísticas da DRE mostram, à saciedade, números bem superiores a 2012. De acordo com os últimos dados disponíveis, até Junho de 2013, quando comparado com o acumulado a Junho de 2012, os hóspedes, as dormidas, a taxa de ocupação, os proveitos totais e o Rev-PAR cresceram, respectivamente, 6%, 7%, 5%, 9% e 14%. O volume de passageiros no aeroporto, em Julho e Agosto de 2013, em comparação com iguais períodos de 2012, aumentou 7% e 10%, o que permite extrapolar, com segurança, que a tendência de crescimento deverá ter continuado, nos meses seguintes, em linha com os anteriores. iii. Em benchmarking, de igual modo se conclui que estamos melhor que o nosso competitive set a Junho de 2013, no confronto com acumulado a Junho de 2012. Por exemplo, em hóspedes, Malta sobe apenas 5%, Canárias e Baleares tão somente 2% e Chipre cai 7%. iv. A Madeira foi eleita o melhor destino ilhéu europeu nos World Travel Awards, os Óscares do turismo, em compita, entre outras, com a glamorosa Sardenha e as badaladas Baleares. v. Será lançado, em breve, pela ACIF, o concurso internacional para a realização do plano estratégico para o turismo da Madeira. vi. A Tui Nordic, que nos abandonara em 2007/2008, voltará, trazendo, este Inverno, 20.000 turistas. vii. Correm, no trade, rumores que uma rede de mais de 100 hotéis, presente, sobretudo, em Espanha, Mediterrâneo e Caribe, irá explorar um grande hotel 5* na Madeira, a partir do Verão de 2014. E, outros mais bons sinais que, por falta de memória ou excesso de caracteres, acima não constam. Poderia refutá-los com os seguintes “Mas”: i. A DRT não fez mais do que a sua obrigação. Ainda assim, a verba alocada, publicamente, à promoção da Madeira, é menos de metade da investida, por room night, em destinos concorrentes. ii. Continuamos muito aquém dos números do último ano de ouro - 2008. iii. Com €33, ainda estamos um pouco abaixo do Rev-PAR das Baleares e a léguas do das Canárias (€38 e €57 a Junho de 2013). iv. Quais Óscares? Os World Travel Awards são pouco credíveis, os resultados baseiam-se em votações on-line, logo, influenciáveis. v. O plano estratégico chega com 10 anos de atraso. vi. Tanto alarido por causa da Tui Nordic? 20.000 são 2% dos nossos turistas. vii. Se já não dá para alguns dos que estão de portas abertas, mais um hotel, ainda por cima, de uma rede que é conhecida por praticar preços agressivos, não será o ideal para o destino. Mas, não, não e não! Não vou por aí. Até porque poderiam, com razão, contra-argumentar-me: i. Antes tarde que nunca. Não deixa de ser um significativo aumento. Este encaixe financeiro permitirá à AP Madeira solver os seus compromissos com os operadores e as companhias aéreas e, assim, ganhar credibilidade e negociar, futuramente, em melhores condições. Possibilitará, também, concretizar e/ou acelerar algumas campanhas promocionais que estavam em stand by. ii. 2008, com o advento da Easy Jet e, em simultâneo, com uma pujante tour operação, é um ano irrepetível, pelo menos enquanto o mercado português não voltar aos níveis pré crise. iii. Aproximamo-nos. Roma e Pavia não se fizeram num dia. iv. A forma de votação é igual para todos. Porque não ganhou então as Baleares ou as Canárias? v. Um documento estratégico com esta abrangência, há muito desejado por todos players do sector, vem sempre a tempo. vi. Relevante porque é o regresso, em época baixa, de um mercado, de perfil alto, que bem conhece o destino e que pode potenciar, nos próximos anos, resultados superiores. vii. A concorrência é sempre bem vinda. Obriga-nos a ser cada vez melhores. Significa que o destino começa a gerar rendibilidade e a ficar apetecível para grandes cadeias hoteleiras não sedeadas em Portugal. Importante é que os números do nosso turismo são, este ano, até à presente data, verdadeiramente bons e o Inverno também se perspectiva semelhante. Perguntarão logo alguns se os números seriam os mesmos sem os “pracistas” de Taksim em Istambul e de Tahrir no Cairo. Alegando que são meramente conjunturais e exógenos, não controláveis. Retorquindo os outros com uma questão: Então porquê, quando da Primavera Árabe em 2011, em que o Egipto e a Tunísia perderam 50% dos seus 20 e 12 milhões de turistas, a Madeira não aproveitou tanto e tão prontamente? Num próximo texto, se me facultarem mais caracteres, escrevinharei algumas notas sobre o que, no meu entendimento, poderia fazer-se, estando neste ponto, que deve ser de partida e não de chegada. Por ora, deixemo-nos de “Ses” e de “Mas”. Regozijemo-nos com os bons resultados de 2013. O nosso ego bem necessitado estava. Não estamos todos fartos de más notícias? Deixem-nos gozar este momento. Não estraguem. Tão pouco, não desvalorizem. Ao invés, alavanquem-no!
Paulo Prada