AC Cada vez mais os arraiais a se tornarem autênticos “franchises” com aval das Câmaras Municipais e muitas vezes com apoio da igreja onde a festa religiosa se realiza. O lema agora é: beba quanto mais puder e vomite o mais que puder! Antigamente tínhamos festas onde imperava o convívio entre as pessoas (muita gente não faz a ideia o que é isto) os despiques, a música das bandas, os artistas do concelho, as barracas com comes e bebes tradicionais e cada arraial tinha sua característica única e genuína. Actualmente, tudo mudou, agora está tudo normalizado e “franchisado”, temos barracas “discotecas” com as suas colunas de meio metro, coladas umas as outras, a bombar ruído, numa “mixlandia” alucinada, cujo som final é “BUM BUM BUM”. Os artistas locais já eram, a moda é importar músicos nacionais e estrangeiros e quanto mais dinheiro o festeiro (emigrante saloio que não sabe o que fazer ao dinheiro) tiver, melhor ainda. (Muitos destes festeiros, em vez de aplicarem o dinheiro em coisas úteis em beneficio do seu Concelho/freguesia, muitas vezes promovem mais destas aberrações). Infelizmente, que a maioria dos grandes arraiais desta ilha estão a perder a sua originalidade, e a ser substituídos por “um comboio de discotecas” e bares de poncha (até o vinho local com laranjada já desapareceu) infestados de adolescentes alcoolizados, onde as gerações mais velhas evitam por os pés. No último arraial de S. Vicente, chegaram ao cúmulo de autorizar as “Vespas” a promover uma “Rave” matinal, das 7h da manhã ao meio dia, num local onde existiam tendas com jovens acampados e no centro de uma zona habitacional, tudo com o beneplácito da autarquia e da PSP. Foi confrangedor ver jovens tipo “zombies” a querer descansar, mas a ser atormentados pela música, como a pressioná-los a beberem ainda mais. Ora isto já não são arraiais, isto são bebedeiras colectivas, que os próprios hospitais já deram o alerta. Como nada é eterno, vai chegar o dia que os arraiais dos Lameiros/Seixal/São Vicente vão passar de moda e possivelmente matarão a longa tradição destas festas religiosas. Temos que lutar em defesa das nossa cultura popular e não deixar que este miserável “franchising” vespeiro dê cabo da nossa cultura folclórica.