Portugal tem apostado, e bem, na renovação do seu parque hospitalar. Têm-se construído novas unidades e desactivado outras já obsoletas. Esta política tem sido criticada por alguns, felizmente a minoria no nosso país. Entre estes existem profissionais de saúde, alguns com responsabilidades na gestão, que têm optado por “soluções criativas”, defendendo a renovação daquilo que já existe, garantindo que fica mais barato e melhor que se fosse tudo novo.

Estes profissionais possuem uma vantagem determinante na sua relação com os utentes, políticos, jornalistas, magistrados e opinião pública em geral: possuem informação e conhecimento, académico e científico, sobre Saúde, que outras pessoas ou classes profissionais não têm. Tal situação leva a que os consumidores (e decisores políticos!) de cuidados de saúde não tenham a mesma informação que tem o prestador dos mesmos e se crie uma situação de desequilíbrio que irá afectar a qualidade da decisão. Os doentes ou políticos, em situações muito diferentes e distintas entre si, precisam de informação clara e objectiva, para poderem decidir de forma consciente e acertada. Se quem domina a informação e possui a responsabilidade de a transmitir é impreciso, omisso e condicionador sobre aquilo que é divulgado, se manipula a opinião pública com meias verdades e com interpretações discutíveis e pouco rigorosas sobre a realidade dos factos, torna-se impossível decidir de forma informada e fundamentada.

Façamos alguns paralelismos: 1 -Uma casa velha é melhor que uma nova? Sai mais barato manter uma casa velha? A casa velha é mais prática e segura? A construção de anexos é a solução para tudo? 2 - Um carro velho é melhor que um novo? O consumo, segurança e conforto são iguais? 3 - Um computador velho é melhor que um novo? Como? 4 - Ter sapatos velhos é melhor que ter uns novos? 5 - Alguém se mete num avião com 40 anos para fazer uma viagem intercontinental com a mesma segurança com que iria num avião novo? 6 - Um hospital velho é melhor que um novo? Por favor, deixemo-nos de fantasias.

Duarte Nuno Dória