Os concorrentes às eleições autárquicas parecem ter antecipado outro tipo de disputa, enquanto não chega o dia do acto eleitoral, a 29 de Setembro: todos os dias há alguém que salta para a opinião pública com uma proposta de redução do IMI-Imposto Municipal sobre Imóveis. Se nos orientássemos por estas promessas ocas – e irresponsáveis – em breve desapareceriam os problemas dos contribuintes madeirenses, pelo menos em relação a este imposto, a que a maioria dos autarcas deitou a mão nos últimos tempos, para tapar outros buracos e outros compromissos. Pelo que se percebe, eles tapam e destapam. Julgam que os parolos engolem tudo. Bem, a verdade é que os eleitores têm engolido tudo. Até agora. Mas julgo que, desta vez, é um bocado arriscado abusar da pacatez dos eleitores. Caso não se tenham dado conta, todos os candidatos deveriam saber que a situação financeira da esmagadora maioria das famílias madeirenses não aconselha mais brincadeiras e promessas vãs. Eu aconselharia alguma moderação aos candidatos. Da mesma forma que exortaria aos eleitores, se tal me fosse permitido, para que levassem em linha de conta tudo o que lhes prometeram. Não só no dia de por a ‘cruzinha’, mas sobretudo depois disso, quando os candidatos transformados em autarcas, começarem a se esquivar do contacto que agora tanto procuram. Há que responder com a mesma moeda: eles chateiam o eleitor durante dois meses, o eleitor deve ‘chateá-los’ durante quatro anos. O exemplo da utilização abusiva das promessas em torno do IMI é apenas um. Tem havido mais. Mesmo que o calor da campanha quase tudo permita, os verdadeiros candidatos deveriam desta vez abster-se de brincar com as pessoas. Talvez os eleitores, agora mais escaldados do que nunca, queiram premiar os mais realistas, os mais responsáveis. É um dos caminhos possíveis.