Portugal iniciou o seu período de feiras e festas. Um pouco por todo o lado a animação musical toma conta das noites e é a época para músicos e artistas. De maio a setembro, esta atividade sazonal, desenvolvida por quem faz da música profissão, tem-se organizado e desviado para outros caminhos. Os arraiais, como lhes chamamos por cá, já não têm a banda filarmónica, véspera e dia, mas sim algumas horas e o serviço musical de acompanhamento à procissão; o conjunto de ‘’ritmos modernos’’ já não é o rei da noite e o grupo de folclore e a tuna não contam com estas festas para ganhar alguma coisa. As agências e até editoras nacionais, têm o plano definido. Concorrem entre si no calendário dos eventos e a Madeira não é deixada de lado. Negócio de milhões de euros, no cômputo geral do país, esta música-animação tem protagonistas, representantes e contratos para assinar. No ano anterior, ou a partir de janeiro do ano corrente, somam-se os telefonemas de quem faz a festa às agências, ou de quem oferece os serviços aos festeiros. O circuito é este. Não existem terceiros, nomeadamente pequenos grupos ou artistas em nome individual. Sem agente, não se trabalha no Verão. O público que frequenta estas feiras e festas espera por determinados artistas, aqueles que conhece através da televisão ou ouve na sua ‘’rádio local’’, na profundidade do país real. É fácil de entender que os artistas a que me refiro, aparecem de segunda a domingo nas ‘’televisões portuguesas’’, geralmente de manhã ou durante a tarde, dando-se a conhecer de outubro a abril…os 6 meses da preparação da Operação. O povo acompanha a vida pessoal destes artistas nas revistas cor -de - rosa, e a intimidade, resulta em ovação no dia da festa da freguesia. Estou a falar dos «artistas-pimba», mas também me refiro ao facto de certas freguesias e lugares, alguns na Madeira, se coletarem em centenas de milhares de euros para se digladiarem entre si no dia da festa. Colocada a freguesia no centro das atenções, durante dois dias, pouco importa o resto. Porém, a economia local não vive só de anonas e bananas. Os artistas, os músicos e os grupos fazem parte dessa equação e estatística - precisam de trabalhar. Cabe a quem contrata a opção pelo que é regional, dando vida ao mercado artístico ou o que resta dele.

Vítor Sardinha Músico