Jorge Resende Como ratos a saltar do navio, há políticos que começam a querer esquecer os áureos tempos em que ao ritmo estridente do hino do partido, de braços em riste (como outrora os fascistas) e dedos em V de vitória, gritavam com quantas forças tinham PPD-PPD!!!... Hoje, perante o fiasco grosseiro do governo composto por figuras menores daquele partido, já que os barões e baronesas andam a tratar das suas vidas por tudo quanto é sítio, apregoam aos quatro ventos que nada têm a ver com aquela gentalha de Lisboa (malditos cubanos…) e que o partido deles agora é a Madeira. De vez!!! Por isso, enquanto por Lisboa os ministros e secretários, quais trabalhadores a prazo e em duodécimos andam em permanente litígio com militares, padres, reformados, peixeiras, juízes, deputados e com muitos, muitos mais, por cá, começa a ser tempo de muitos esconderem as bandeiras nos sótãos que o tempo não está para festas, começa a ser tempo de muitos virarem ao contrário os emblemas das lapelas ficando com as setas para baixo, começa a ser tempo de se porem panos pretos a taparem as janelas das sedes em sinal de luto ou de vergonha, começa a ser tempo de taparem os móveis do arremedo de complexo industrial instalado no Caniçal, e tempo é também para se fecharem as suites dos negociantes acantonados no edifício Infante, e de muitos comprarem passagens de avião para as ilhas Caymão, para vigiarem de perto os seus negócios, que isto de andarem os bens próprios por mãos alheias tem muito que se lhes diga. Aos outros, os que votam nos de cá e os ajudam nas suas maiorias eleitorais, muitos deles a troco de cervejas e bocados de carnes em vinha de alhos e que depois quando dá jeito são corridos a pontapé apelidados de bêbados, drogados, cachorros ou patas rapadas, a todos eles que foram levados e levadas, sim, a todos esses, na hora difícil em que nos puseram mercê duns quantos chicos espertos que estão a rir e a gozar à francesa de todos nós, reformados, desempregados, jovens aflitos, a todos só resta fazer-lhes o célebre gesto do manguito criação de Bordalo Pinheiro. E se tal não resultar votem em branco como escreveu Saramago, ou então em desespero de causa indignem-se, gritem, manifestem-se e com todas as letras tal como o fez o Almirante Pinheiro de Azevedo, mandem-os bardamerda! Viva a República!