Continuo a acreditar que a CONFIANÇA é um vector determinante para o sucesso ou o insucesso numa economia e numa sociedade. Sobre “confiança” escreveu Fukuyama um livro importante, em 1995. Permanece, no essencial, válido. Recordo parte da sua tese: “a vida económica é impregnada pela cultura e depende de vínculos morais de confiança social”; “trata-se de um acordo tácito, não expresso por palavras faladas ou escritas, entre os concidadãos, que facilita as transacções, permite a criatividade individual e justifica a acção colectiva”. Ele e outros autores chamam CAPITAL SOCIAL a esta relação de confiança entre membros de uma comunidade. Confiança é aquilo que continua a faltar em Portugal e na Madeira. Confiança nas instituições, para começar. Poucos, muito poucos, confiam hoje na justiça, no governo e no fisco, nos parlamentos, nos partidos... na Quinta Vigia e em Belém. Poucos, muito poucos, confiam hoje na banca e no sistema financeiro. Há razões fundadas para a desconfiança nos cidadãos face às instituições e, consequentemente, à democracia representativa. Os escândalos, as cumplicidades e a promiscuidade sucedem-se. Há, hoje, assuntos que se tornaram ‘tóxicos’ e que queimam todos aqueles que estando no governo e na vida política tiveram contactos no passado com eles. As siglas na actualidade são: BPN e swaps. Para já não falar do BPP, das rendas excessivas no sector energético, das PPP... Estes dossiers minam a confiança e o capital social. Traço comum em todos estes assuntos tóxicos: as enormes responsabilidades da banca (motivo para um próximo artigo).
Maximiano Martins