Os erros voluntários, são um sinal de premeditação e têm de ser culpabilizados Temos o hábito e costume, no desenrolar dum acontecimento, fazer comentários do tipo - “Mas de quem achas que foi a culpa”? E facilmente se atribui imensa importância á culpa - que existe quase sempre, com maior ou menor relevância - mas depois, quando avaliada e julgada, essa culpabilidade reconhecida, normalmente não é sancionada. Sabem do que estou a falar? Falo desta preocupação lusitana, em procurar a culpa, encontrar a culpa, e depois, muito rapidamente justificar e tratar de volatilizar ou sublimar essa culpa. E no final, ninguém acaba por ter culpa nenhuma - e ser julgado ou condenado por ela - Porquê?? ... porque há muitas culpabilidades alheias ao problema, outras aleatórias ou incertas, e há culpabilidades que prescrevem na santíssima justiça portuguesa. E agora um pouco de História ... em Portugal, mesmo depois da experiência duma ditadura, com dezenas de anos de autoritarismo, com uma guerra “a sério” pelo meio - onde houve mortos, feridos e mutilados, dispersos por muitas famílias portuguesas - mesmo depois de igual dezena de anos de livre democracia, instalada, com cravos como flores e militares como políticos, mesmo depois deste tempo todo - oitenta anos no total - ainda não se julga a culpa e os culpados no território português e pode dizer-se, garantindo á boca cheia, que - “ A culpa não é minha”! Mas, suponho eu, deve haver uma explicação - lógica - para tudo isto acontecer - e como há explicações para tudo neste mundo ... - assim, parece-me que, este resultado, nasce do facto evidente, em sermos governados nesta jovem democracia - com já quase 40 anos de idade - por dois partidos iguais, iguaizinhos, com bandeiras e gravatas diferentes, com pensamentos diversos mas atuações muito idênticas. Assim verificamos, que daí resultou ... neste regime amplamente democrático do “ Ora agora mandas tu, ora agora mando eu!” ... um valentíssimo estrondoso do choque frontal contra o “Muro de Berlim” ... - Afinal, o raio do muro ainda existia?? - e não é que não percebemos, AINDA, se a culpa é dos “travões” avariados ou do nosso habitual descontrolo na “velocidade”! Se o ser humano comete um erro, esse erro quando diagnosticado, tem de servir de exemplo, de modo a não ser, no futuro, continuado ou repetido. Em Medicina tudo isto é trivial e também é indiscutível! Como a Medicina é falível, se ocorrer uma falha ou um erro, inesperado e imprevisto, este tem de servir como exemplo futuro! Seria muito prático, ler uma “bula” - aquele papelinho “chato” que acompanha um medicamento qualquer, e reparar na quantidade de contraindicações e reações adversas provocadas pela sua ingestão - enquanto todos esperamos, que o paciente nunca tenha nenhuma delas. Na Medicina é assim! E tem de ser assim! Esta maneira de estar e de ser, tem de prevalecer na generalidade da nossa vida profissional e extra-profissional. O erro, involuntário, deve servir como um exemplo para o futuro. Os erros voluntários, são um sinal de premeditação e de intencionalidade e têm de ser culpabilizados. E julgados! Para que a sociedade avance, melhore, corrigida para os melhores trajectos, na melhor direcção. E até por uma questão de princípio e de justiça! Mas, a dizer à boca larga, que a culpa não é nossa, estamos a contribuir para a deseducação actual e das gerações seguintes! E há quarenta anos que o fazemos! Acham que isto é democracia? José Manuel Ramos

Os erros voluntários, são um sinal de premeditação e têm de ser culpabilizados

Temos o hábito e costume, no desenrolar dum acontecimento, fazer comentários do tipo - “Mas de quem achas que foi a culpa”? E facilmente se atribui imensa importância á culpa - que existe quase sempre, com maior ou menor relevância - mas depois, quando avaliada e julgada, essa culpabilidade reconhecida, normalmente não é sancionada. Sabem do que estou a falar? Falo desta preocupação lusitana, em procurar a culpa, encontrar a culpa, e depois, muito rapidamente justificar e tratar de volatilizar ou sublimar essa culpa. E no final, ninguém acaba por ter culpa nenhuma - e ser julgado ou condenado por ela - Porquê?? ... porque há muitas culpabilidades alheias ao problema, outras aleatórias ou incertas, e há culpabilidades que prescrevem na santíssima justiça portuguesa. E agora um pouco de História ... em Portugal, mesmo depois da experiência duma ditadura, com dezenas de anos de autoritarismo, com uma guerra “a sério” pelo meio - onde houve mortos, feridos e mutilados, dispersos por muitas famílias portuguesas - mesmo depois de igual dezena de anos de livre democracia, instalada, com cravos como flores e militares como políticos, mesmo depois deste tempo todo - oitenta anos no total - ainda não se julga a culpa e os culpados no território português e pode dizer-se, garantindo á boca cheia, que - “ A culpa não é minha”! Mas, suponho eu, deve haver uma explicação - lógica - para tudo isto acontecer - e como há explicações para tudo neste mundo ... - assim, parece-me que, este resultado, nasce do facto evidente, em sermos governados nesta jovem democracia - com já quase 40 anos de idade - por dois partidos iguais, iguaizinhos, com bandeiras e gravatas diferentes, com pensamentos diversos mas atuações muito idênticas. Assim verificamos, que daí resultou ... neste regime amplamente democrático do “ Ora agora mandas tu, ora agora mando eu!” ... um valentíssimo estrondoso do choque frontal contra o “Muro de Berlim” ... - Afinal, o raio do muro ainda existia?? - e não é que não percebemos, AINDA, se a culpa é dos “travões” avariados ou do nosso habitual descontrolo na “velocidade”! Se o ser humano comete um erro, esse erro quando diagnosticado, tem de servir de exemplo, de modo a não ser, no futuro, continuado ou repetido. Em Medicina tudo isto é trivial e também é indiscutível! Como a Medicina é falível, se ocorrer uma falha ou um erro, inesperado e imprevisto, este tem de servir como exemplo futuro! Seria muito prático, ler uma “bula” - aquele papelinho “chato” que acompanha um medicamento qualquer, e reparar na quantidade de contraindicações e reações adversas provocadas pela sua ingestão - enquanto todos esperamos, que o paciente nunca tenha nenhuma delas. Na Medicina é assim! E tem de ser assim! Esta maneira de estar e de ser, tem de prevalecer na generalidade da nossa vida profissional e extra-profissional. O erro, involuntário, deve servir como um exemplo para o futuro. Os erros voluntários, são um sinal de premeditação e de intencionalidade e têm de ser culpabilizados. E julgados! Para que a sociedade avance, melhore, corrigida para os melhores trajectos, na melhor direcção. E até por uma questão de princípio e de justiça! Mas, a dizer à boca larga, que a culpa não é nossa, estamos a contribuir para a deseducação actual e das gerações seguintes! E há quarenta anos que o fazemos! Acham que isto é democracia?

José Manuel Ramos