Estamos naquela fase da época a que eu chamo “fase do laboratório”, onde as equipas recebem elementos novos, sejam eles jogadores e (ou) equipas técnicas. Estes novos elementos têm que se adaptar a uma nova realidade, a dos clubes aonde chegam, seja para a luta pela conquista de títulos, seja para a ida ás competições europeias, ou então a sempre trabalhosa luta pela manutenção. Nesta “fase do laboratório” tudo é treinado, tudo é experimentado, as falhas, os erros e as lacunas são identificadas e corrigidas, posições são reforçadas. Os jogos treinos são ideais para isso, o grau de dificuldade dos mesmos é em crescendo, ou seja, começando por defrontar equipas mais “fracas” e deixando as de maior dificuldade para mais próximo das competições oficiais. Qual o problemas das equipas nesta fase? A quase que obrigatória exposição ao público de todo este trabalho, que sendo de laboratório deveria ficar confinado a esse mesmo laboratório. Mas a necessidade de informação a juntar aos “esfomeados” adeptos que tudo querem saber e tudo querem ver complica a necessária calma e a tranquilidade que esta fase exige. Assistimos a um grau de exigência por parte dos adeptos aquando dos jogos treino tal como se estivéssemos na fase final do campeonato onde tudo se exige. Eu, pessoalmente, entendo que os jogos treino nem deveriam ser televisionados, a maioria das pessoas não percebe, ou não quer perceber o alcance e objectivos dos mesmos. Todos gostam de ver a sua equipa ganhar? Sim, claro que sim, mas não é o objectivo primeiro desta fase. O que diriam os adeptos de alguns clubes portugueses se estes saíssem derrotados dos jogosdas equipas inglesas, como aconteceu, nos seus jogos asiáticos? Caia já, à “porta da igreja”, o andor. Deixemos as equipas trabalhar com calma e serenidade, procurando encontrar a fórmula certa para encarar a época, quando os jogos oficiais arrancarem cá estaremos, como normalmente, para elogiar e criticar.

Duarte Vieira - Advogado