Durante décadas o PSD, através do Governo, das câmaras, das juntas de freguesia e da própria administração pública regional incutiu o medo na Sociedade Madeirense. Quem não era do PSD estava condenado ao ostracismo e a um estatuto de menoridade. Era um cidadão de segunda, a quem se negava o cumprimento dos direitos, se recusavam apoios legalmente previstos, não se reconhecia os méritos e até se perseguia por escrever e expressar opiniões diferentes às da maioria. Os cidadãos eram divididos entre bons (os do PSD) e maus (oposições). Aqueles que estavam incluídos na primeira categoria tinham direito a tudo. Os segundos eram amedrontados e enxovalhados. A maioria era convidada a manter-se na indiferença e a cultivar uma atitude de apatia, para não “fazer ondas”. Esse sistema afastou da vida pública cidadãos competentes e jovens qualificados, tendo conduzido a uma fossilização das classes dirigentes. O dinheiro abundante dos contribuintes ou da banca calava opiniões e comprava silêncios. A verdade é que muitos resistiram, com pesadas consequências para as suas vidas, e alertaram, sem grande sucesso, para as consequências negativas de algumas opções políticas, de alguns caminhos seguidos pelo Governo Regional. Foi, no entanto, necessário que tivesse sido tornada pública a astronómica dívida regional, em 2011, para mostrar de que lado estava a razão. Progressivamente, a coragem tem-se substituído ao medo e hoje, a maioria dos cidadãos - veja-se aquilo que se passa no interior do PSD - vem ganhando consciência do verdadeiro estado da Região e da necessidade de profundas alterações na política e na governação da Madeira. É curioso constatar que o medo está agora instalado na liderança e na nomenclatura do PSD. Quando o líder social-democrata e todos os seus escribas de serviço gastam os discursos e “artigozecos” a atacar ferozmente os seus adversários, em particular o CDS, dão um óbvio sinal de que têm medo do veredicto dos Madeirenses, nas próximas eleições. Têm medo de perder o poder. Como as coisas se transformaram... E a transformação será ainda maior a 29 de Setembro!

José Manuel Rodrigues Presidente do CDS-Madeira