
Para tristeza minha e, como consequência dessa decisão, ignorância em relação ao que lá está exposto, não tenciono por um pé no Museu da Imprensa. Pelo menos até me esquecer das imagens e frases patéticas produzidas na sua inauguração. Vai levar muito tempo.
Desde logo questiono a escolha do convidado para a cerimónia de abertura. Chamar o presidente do Governo Regional para a inauguração de um museu da imprensa madeirense, é como convidar um ex-ministro do Salazar para a inauguração do Museu do 25 de Abril. Uma anedota.
E se queriam anedota, foi o que tiveram. Na inauguração daquilo que deveria ser uma mostra do passado e presente da imprensa regional, deu-se tempo de antena para que fossem repetidas, até de forma jocosa, as maiores barbaridades sobre o crime económico que põe em causa a sobrevivência deste jornal.
Se os organizadores do museu queriam mostrar a realidade da imprensa regional acabaram por ter o que pretendiam. Ficámos a saber, mais uma vez – ainda há gente que finge, de forma cobarde e hipócrita, que não sabe –, que o desvio anual de mais de quatro milhões de euros dos nossos impostos vai continuar, mesmo em tempo de miséria e engrossando a dívida de uma coisa que já tem um passivo de mais de 40 milhões. Tudo com o objectivo claro de destruir o DIÁRIO e perpetuar um jornal de propaganda política. Infelizmente, essa é a triste realidade da imprensa regional.
Pensando bem, talvez a escolha do convidado não tenha sido tão inocente.