Que têm em comum Jorge Baptista, Carlos Teles, Pedro Coelho, Ricardo Nascimento, Nuno Baptista? Pelo menos dois aspectos: são todos candidatos a presidentes de Câmara pelo PSD e, de repente, começaram todos a aparecer em iniciativas do Governo. Assim, como quem não quer nada, juntam-se aos senhores do Governo, também visitam obras e aparecem nas fotografias e talvez na televisão. Esta prática não é nova. Desde que me lembro de ver o Governo a fazer campanha de forma descarada que este modelo é aproveitado sem qualquer pudor pelo partido da maioria. E a verdade é que tem dado resultados, como se vê eleição após eleição. O que está aqui em causa não é nada de ilegal, nem sequer imoral. É apenas uma forma de enganar eleitores que se pensava desnecessária nesta altura do campeonato. Esta súbita necessidade de aparecer, de se por em bicos dos pés, de acenar para o povinho é tão legítima como qualquer outra forma de apelar ao voto. Mas é injusta para com os outros candidatos e revela uma certa base de mentira que deveria ser rejeitada por qualquer aspirante ao poder. Que têm em comum José Alberto Gonçalves, Manuel Baeta, Arlindo Gomes, Ismael Fernandes e Fátima Menezes? Pelos menos dois aspectos: são todos presidentes de Câmara eleitos pelo PSD e, de repente, começaram todos a aparecer em segundo plano em iniciativas do Governo. Percebe-se a estratégia, aceita-se o pragmatismo partidário, mas não deixa de ser lamentável esta atitude que revela uma estranha necessidade de fazer desaparecer gente que rendeu votos, que ajudou nas vitórias, que evitou derrotas e que até deu jeito noutras alturas. É como usar e deitar fora. Só que neste caso estão pessoas. As mesmas pessoas que noutros momentos foram fundamentais são agora quase escondidas, ou escondidas mesmo. O que aqui está em causa também não é ilegal. É apenas o retrato de alguma submissão dos que eram protagonistas e que se deixam ofuscar por actores políticos que tinham papel secundário, alguns nem papel tinham. No fundo, é a demonstração de uma característica bem madeirense de comer e calar, de deixar andar, de se deixar ficar, de deixar passar, de se deixar ultrapassar. Já lá vão décadas disto. Finalmente: que têm em comum os actuais presidentes e os novos candidatos? Um dia, também os que agora passam para a frente serão deixados para trás.