Anabela Jesus G. Rocha Sousa Sou mãe, tenho dois filhos e sei que a minha felicidade depende claramente de tudo o que possa acontecer aos meus filhos. Aquele cliché que todos os pais usam de que um filho vem mudar as nossas prioridades é mesmo verdade. Começamos ainda com os filhos na nossa barriga a traçar planos para que o nascimento corra bem. Cada vez que fazemos ecografias a ansiedade aparece… o bebé está bem? É saudável? Tem o peso certo? A nossa alimentação tem de ser mais cuidadosa, temos de abdicar de alguns vícios que sabemos ser prejudiciais, enfim, começa bem cedo a nossa missão de cuidar e proteger. Vem esta reflexão a propósito de vários pedidos de ajuda que têm aparecido no Diário, e nas redes sociais. Pais desesperados pedem ajuda à comunidade para tentarem salvar aquilo que de mais importante têm nas suas vidas. Infelizmente cada vez surgem mais casos e a maior parte de nós caminha impávida e serena como que habituada e resistente à dor do próximo. Não pensamos que por detrás destes apelos desesperados estão pais e mães como nós que de uma hora para a outra viram as suas vidas viradas do avesso. Pais que passam a maior parte do tempo em hospitais, pais que vivem em função de resultados de exames, pais que perdem o emprego porque precisam de estar lá, a segurar a mão do filho, tenha a idade que tiver. Pais que todos os dias secam lágrimas às escondidas porque precisam de parecer fortes, precisam de arranjar forças para aguentar uma dor que é insuportável. A luz ao fim do túnel por vezes existe, pode ser uma luz muito ténue, mas é a única esperança. É uma luzinha em forma de tratamento experimental, numa clinica privada, noutro país e que custa milhares de euros. Os pais acreditam que o filho pode curar-se, mas entre a doença e a cura existe a falta de dinheiro. O dinheiro que dizem não trazer felicidade, agora é a única forma de salvar aquela vida. Eu sou amiga da Filomena Leça, que tem um único filho – o Diogo Leça e que sofre de um Neuroblastoma grau 4, desde os 4 anos. Neste momento o Diogo tem 10 anos e está no IPO deLisboa cheio de dores e aser medicado com morfina. Durante 6 anos a Filomena e o marido fizeram tudo o que o sistema de saúde português lhes indicou, foram 6 anos de sofrimento, com melhoras e recaídas e agora a solução é ver o menino morrer ou tentar um tratamento com células dendríticas que se realiza na Alemanha, mas que custaaproximadamente 50.000 euros com tudo incluído. Mais informação no facebook – Juntos pelo Diogo Leça (Para ajudar o Diogo o NIB é 001800033433915002084 / IBAN PT50 001800033433915002084 – Banco Santander Totta) A única hipótese é pedir ajuda e não é fácil para uma família que sempre teve orgulho em ser auto-suficiente e que durante 6 anos tentou sem sucesso a cura do seu filho. Agora não há espaço para ter orgulho ou vergonha. Como o Diogo existe outros meninos e meninas a precisar de ajuda. Se cada um de nós der nem que seja 50 cêntimos, multiplicados por milhares de pessoas, talvez seja possível ajudar a salvar muitas vidas. Quem puder ajudar, não fique indiferente, porque existe muito sofrimento que pode ser atenuado com um pequeno gesto de cada um de nós. Podemos ser heróis.