Ontem o Andebol despediu-se ao som de Bach do melhor treinador que passou pelos pavilhões portugueses. O ucraniano Aleksander Donner deixou um trabalho de grande mérito e absoluta qualidade, não só ao nível dos resultados desportivos, mas também pela “formação” que deixa entre os seus ex-atletas. Oriundo da escola russa, era senhor de uma personalidade carismática e vincadamente difícil, tendo-se tornado numa referência pelos métodos inovadores no treino e pela ambição que incutia. Viveu em Portugal desde 1991, ano em que cá aportou para revolucionar o ABC de Braga e o andebol português. Havia sido adjunto do grande Vlatschenko na selecção nacional russa, que o recomendou aos dirigentes portugueses. Venceu 11 campeonatos nacionais em 4 clubes diferentes e atingiu a quase irrepetível proeza para um clube português, de ter chegado à final da Taça dos Campeões Europeus, perdida por “detalhes” para os espanhóis do Teka de Santander. Venceu também 7 Taças de Portugal, 5 Supertaças e 1 Taça da Liga, tendo sido também treinador da Selecção portuguesa de 1996 a 2000. Uma aura de sucesso percorreu a sua passagem entre nós, mas a consciência dos seus méritos esteve sempre presente no seu discurso quando interrompeu a carreira por falta de convites em Portugal e regressou por algum tempo à Rússia afirmando: “Vou sair do país com a certeza que fui o melhor treinador de todos os tempos em Portugal. Falam de Pokrajac e Obradovic, que são bons, sem dúvida, mas eu sou melhor”. O Andebol está triste e imensamente mais pobre. Até sempre Aleksander Donner.
João MM Castro Psicólogo Clínico