Rui Nunes A democracia pode ter muitos defeitos e tem-nos certamente mas tem coisas magníficas, como a possibilidade de um jornal como o Diário de Noticias disponibilizar uma página para que os leitores exponham as suas ideias ou peçam esclarecimentos sobre as suas dúvidas. É o caso do senhor Miguel Teixeira que, na edição de 27 de Agosto, pede esclarecimentos sobre o facto de um militar estar à frente da Cruz Vermelha na Madeira. Não conheço o dono de semelhante dúvida mas sempre lhe posso adiantar que um militar é um cidadão nacional com direitos e deveres, mais deveres do que direitos, a quem não está vedado o direito de poder ser voluntário. Sim porque o senhor presidente da Delegação da Madeira da Cruz Vermelha Portuguesa é voluntário, como voluntários são todos os seus membros dirigentes, entre os quais há outro militar. Para além desses a Delegação tem no seu efetivo e nas diversas áreas de atuação, cerca de 200 voluntários, muitos dos quais, no passado mais recente estiveram durante 5 dias ao serviço da população, garantindo todo o serviço de emergência e outros apoios aos bombeiros envolvidos no combate aos fogos. Enquanto isso este cidadão criava esta dúvida existencial, o porquê de um militar à frente da Cruz Vermelha. Senhor MT, muitas Delegações da CVP são dirigidas por militares na situação de reserva ou reforma que, em vez de andarem pelas esquinas dizendo mal de tudo e de todos optaram por se dedicar a uma causa humanitária, pondo ao dispor dos seus concidadãos os seus conhecimentos e aptidões. A CVP não é uma organização militarizada. Trata-se de uma instituição aberta a todo e qualquer cidadão que queira dedicar-se voluntariamente a uma causa – a dignidade do ser humano. A sua grande dúvida prende-se com “aquilo com que se compram os melões”, com as dúvidas sobre o quanto ganham. Por que não se faz o senhor MT voluntário? Ou é daqueles que acha que ser voluntário é para os outros? Experimente e verá que é mais gratificante do que pensa. Dá trabalho mas o que é que, nos dias de hoje, se consegue sem trabalho? Mas olhe que dá bom dinheiro.