O trajecto recente do CDS Madeira é bem distinto do restante CDS. Nos Açores sofreu uma derrota e em Lisboa assumiu uma governação sem apoio de todo o partido. Na Madeira, o CDS impõe o fim do ciclo Jardinista, cria uma alternativa que é apelativa ao eleitorado moderado do PSD e PS, o que preocupa o Dr. Jardim e o seu séquito, ao mesmo tempo cria “inveja” nos socialistas. Importa perceber este CDS: Foi o primeiro a perceber que os madeirenses já não querem trincheiras ideológicas e é a única força que consegue fazer compromissos quer com a oposição quer com o PSD. Diversificou o discurso. Ao contrário do PS que só releva as finanças e as promiscuidades do regime e o PSD que fala em monocórdio, o CDS tem agora soluções fundamentadas no turismo, na saúde, na educação, no apoio social e no ordenamento territorial. Soube ser oposição na Madeira sem ignorar as suas responsabilidades na República. Soube dizer não a orçamentos “esquizofrénicos” mas também soube renegociar a exígua Lei de Finanças Regionais de 2007. Renovou os quadros com figuras da sociedade e 60% da militância tem menos de 4 anos. A voz do partido tem novas caras e 56% dos candidatos são independentes. Manteve-se fiel às convicções, quando propôs e lhe recusaram a diminuição de 30% do “Jackpot”, dedicou-o ao CDS Solidário, um projecto de apoio social aberto e regulamentado, distinto das filas “natalícias” do PND, dos apoios “sigilosos” do PS ou da distribuição que o poder faz de alimentos dados pela EU. Soube criar um espaço de amizade e solidariedade nas suas fileiras, distinto do militarismo do PSD e do anarquismo do PS. Este espaço permite fazer campanhas eficazes com a “prata da casa”, poupando recursos, fazer voluntariado social, difundir naturalmente a mensagem nas redes sociais e favorecer a originalidade política. Então tudo é perfeito? Certamente que não! Algum amadorismo, algumas “dores de crescimento”, o odioso do poder, o sectarismo da comunicação social e alguma ingenuidade política moldam o trajecto recente do CDS Madeira. Quem não reconhecer estes factos não pode pois compreender os resultados eleitorais e os valores que as actuais sondagens revelam. O Dr. Jardim já percebeu.
Mário Pereira Deputado do CDS-PP