Muito antes do advento dos canais de informação 24 horas, é necessário recuar ao dia 19 de Outubro de 1959, para encontrarmos o início das emissões diárias do Telejornal da RTP, por sinal o programa mais antigo da televisão portuguesa. No início dos anos 90, com a chegada das estações de televisão privadas, o prime-time em Portugal passou a ser ocupado por 3 programas de informação distintos, curiosamente os programas com maior número de espectadores. Assim, numa qualquer sala escura, sentado numa poltrona, enquanto afagava um gato branco, alguém percebeu o poder publicitário da informação televisiva e - depois de nos presentear com o Big Brother - criou as estações de informação 24 horas. Que nem uma miragem no deserto, os canais de informação prometiam ser um oásis de informação e de cultura, mas cedo revelaram-se um terreno ermo e árido, já que a ausência de informação, que justificasse a cobertura exaustiva, levou à criação de um paradigma de conflito constante, de urgência premente - razão irresistível para continuarmos a assistir. Ora, este período noticioso de 24 horas, funciona como um verdadeiro amplificador, um instrumento poderoso de transmissão de informação, no entanto se amplificarmos tudo, passamos a ouvir nada. É este desafio que se coloca, hoje em dia, aos partidos políticos, pois cientes do poder de comunicação destes canais e da sua capacidade de direcção do guião político, o podem usar de duas formas, contribuindo para o ruído ou trazendo clareza ao discurso. Por fim, e porque, irremediavelmente, um dia terá sempre 24 horas, cabe a cada um de nós criar uma 25.ª hora, um espaço próprio de reflexão, longe da propaganda ruidosa.

João Paulo Marques