Rita Maria Fernandes Freitas Uma vez que não consigo ser insensível a nenhum ser vivo mal tratado, seja animal ou humano, mais uma vez, saí do supermercado Pingo Doce do Lido Sol com uma lata de comida para uma cadelinha que se encontrava ali abandonada, com vestígios de subnutrição.
Entretanto, um casal de estrangeiros veio ao meu encontro, nitidamente impressionado com o meu gesto, dizendo que estavam chocados com o número de animais abandonados e mal tratados espalhados pela ilha.
Perguntaram-me se era italiana, pelos vistos não queriam acreditar que uma madeirense estivesse a ajudar um cão abandonado. Censuraram a atitude dos madeirenses em geral, sem conseguirem perceber como ainda é possível este tipo de comportamento, num país inserido na desenvolvida Europa. A única coisa que consegui dizer-lhes foi, que a evolução mais difícil de fazer é a da consciência e nesse aspecto, estamos ainda num estado muito primitivo. Evoluímos só nas aparências e é para isso que vivemos. Alguém que não respeita (já nem falo em amar) os outros seres vivos, está a anos-luz de uma consciência minimamente evoluída, seja na Europa ou fora dela.
Este casal afirmou deixar por escrito, na Secretaria do Turismo, o seu descontentamento em relação à forma como os madeirenses tratavam os seus animais e garantiram-me que cá não voltavam.
Infelizmente esta é a imagem que passamos aos nossos turistas. E eu, só me apeteceu passar por italiana.