“É a nossa sina”, dizia o povo e com isso resolvia o problema de ter de pensar nas razões do seu infortúnio, de tentar alterar as coisas ou protestar. Mas não, não é sina, embora a regularidade com que as tragédias têm atingido esta terra consiga fazer pensar o menos supersticioso.

São aluviões, incêndios, mais aluviões e sempre os incêndios, com uma regularidade assustadora, semelhante à tragédia que provocam. E tão regulares que parecem marcados no calendário como os feriados.

Tão regulares que provavelmente só poderão ser contrariados se as medidas de prevenção utilizadas sejam menos previsíveis. Está mais do que visto que esperar pelos incêndios e pretender combate-los sempre do mesmo modo, pode ser corajosa, e é certamente, mas já deveria ser tempo de fazer algo de mais profundo.

Como já não é possível contrariar toda a irresponsabilidade que levou a que fosse permitido construir casas clandestinas em locais impensáveis – dava votos e deixou-se andar -, é preciso ter meios para evitar tragédias maiores.

Limpar o mato deveria ser uma obrigação – pela lei é – e proibir fogos na floresta, mesmo a tradicional espetada, teria de ser uma imposição. Mesmo que não desse votos.

Não sei se os meios aéreos seriam os melhores para combater estes fogos, há a questão do abastecimento de água que poderia funcionar no aeroporto, mas fica sempre a sensação de que não há aviões porque não temos por cá quem possa ganhar com a sua compra. Não quero acreditar nisso, porque seria criminoso se assim fosse.

Jorge Freitas Sousa