Jaqueline Rodrigues Excelentíssimo senhor presidente Alberto João Jardim, sou estudante de Ciências Farmacêuticas e como tal, as minhas noções de política advêm do interesse em me manter informada das alterações que vão ocorrendo, e da minha vontade de tentar cumprir melhor o meu dever enquanto cidadã. Mesmo assim não consigo deixar passar ao lado decisões tomadas de ânimo leve, e sem ponderação minimamente plausível. Até quando será necessário que a cada Verão, nesta nossa região autónoma, centenas de pessoas tenham que temer pelas suas casas, por invalidez de meios? Quantos mais hectares de serra serão necessários queimar até que consiga ponderar a opinião de profissionais que, ao contrário de vossa excelência senhor presidente, dedicaram as suas vidas a análise de solos e à variação da orografia em função das mudanças climáticas? Opinião essa que a media fez questão de impulsionar, numa tentativa de o chamar à razão nesses aspectos específicos. Ignorou relatórios e apreciação de dados e tentou fazer o que pensava ser o ideal. Os resultados ficam à vista de todos, porque com uma devastação desta magnitude, só não vê quem não quer ver. Sei muito bem a crise em que o país vive e que a compra de meios de pronto-socorro a incêndios, ou os ditos helicópteros de combate ao fogo, tenha um certo efeito na economia da Região, mas a longo prazo será economicamente viável! Pois se pararmos um pouco para pensar, a crise já existia na dita “época das vacas gordas”, ou regionalmente conhecida pela “época de reconstrução de estradas e infraestruturas marítimas”, mas essa crise apenas se encontrava “camuflada” de esperanças e textos eleitorais. Isto porque penso que ninguém acredita que um défice assim nasce em 3 anos de mandato. Excelentíssimo senhor presidente, mais uma vez friso que não sou formada em política nem me encontro em um cargo de responsabilidade como vossa excelência, e que, como tal não sei a 100% as implicações que esses custos poderiam acatar nas dívidas que já temos. Por outro lado e acima de tudo, antes de ser presidente é cidadão desta região. E como qualquer cidadão com o mínimo de bom senso e experiência de vida, consegue verificar que ao diminuir incidentes como os incêndios está a mediar a fortificação de solos, e portanto a evitar estragos de maiores proporções causados pelas chuvas de Inverno. Ou seja, no fundo acaba por reduzir este ciclo catastrófico Verão-Inverno. Tendo por melhor exemplo o fatídico dia de 20 Fevereiro de 2010, num Inverno chuvoso antecedido por um Verão de incêndios e sucedido pela devastação de inúmeros hectares entre as serras do Pico do Areeiro, Pico Ruivo, Curral das Freiras e Serras do Funchal, pelos cerca de 95% do Parque Ecológico... Paisagens que ainda fazem verter lágrimas pelos que vêm e sabem o que perderam e que ainda podem perder! Peço que pense nas famílias que nas últimas horas sentiram-se sufocadas pelas chamas, ou que viram o seu investimento de vida acabar em meros minutos. Que, com o auxílio de profissionais credenciados consiga encontrar as melhores soluções para que este tipo de problemas seja realmente reduzido. E ao ocorrer, resolvidos com maior rapidez e eficácia diminuindo o perigo para quem se encarrega de desbravar o fogo. Esperançosamente uma cidadã que visa ver resultados na sua estimada Ilha.