No ano 1925, o autor Lion Feuchtwanger escreveu "Jud Süss", um romance histórico sobre a vida de Joseph Süss Oppenheimer, um conselheiro do Duque Karl Alexander de Württemberg. Rodeado de inimigos invejosos, Süss ajudou a criar um estado corrupto que lhe trouxe imensas riquezas e poder. Depois da morte da sua filha, o protagonista do livro muda de atitude e num fervor religioso procura a redenção. Para o autor, este era um romance de ideias, uma obra sobre "aparência versus essência", "poder versus sabedoria", "Nietzsche versus Buddha".
Ironicamente, a adaptação cinematográfica realizada no ano 1940 de "Jud Süss" corrompeu a essência desta história e converteu-a numa das obras mais influentes de propaganda anti-semita alguma vez produzida na Alemanha Nazi. O filme, orientado por Josef Goebbels, foi interpretado pelos melhores actores da época, com uma cinematografia impecável e um orçamento nunca antes visto. Foi um sucesso de bilheteira visto por mais de 20 milhões de pessoas e serviu como ferramenta poderosíssima de propaganda ideológica.
Uma simples obra de ficção pode ter um impacto considerável na realidade. Tal como aqueles que inconscientemente foram influenciados pela mensagem oculta na notável cinematografia de "Jud Süss", nós próprios também podemos estar a ser influenciados ou manipulados por aquilo que vemos na televisão ou no cinema, porque a ficção nunca é inconsequente. Hoje, é fundamental termos um espírito crítico desperto para o verdadeiro sentido das variáveis que nos cercam. Existem brilhos que são pura ilusão.
Roberto Macedo AlvesDesenhador de BD