que cada candidato venha pelo seu próprio pé e não ao colo do Cardeal Richelieu ou do Padre Joseph... Foi sem surpresa que li, no jornal "i" de 30 de julho, uma entrevista na qual Miguel de Sousa se assume como candidato à sucessão. Só uma recandidatura (já nada é impossível) do Presidente do Governo Regional poderá conter a vontade de ser presidente " … para criar uma dinâmica que tire a Madeira das dificuldades e pô-la num rumo de algum conforto" conforme refere nessa entrevista. Nada de novo dirão os mais atentos, pois sempre pairou nas conversas de café que Miguel de Sousa aguardava, pacientemente, este momento, resguardado por um discreto silencio nada a seu jeito. Mas esse distanciamento foi estranhamento quebrado quando, de forma abrupta, afrontou uma provocação de Jaime Ramos. Esta violenta ruptura, há muito enquistada dentro do partido e que caiu na praça pública, não terá acontecido só porque os insultos começaram a andar mal distribuídos. Tal como se passou na França de Luís XIII, um cardeal de vestes coloridas, palavra fácil e eloquente, parecia concentrar todo o poder do reino. Porém, o Cardeal Richelieu nada decidia sem consultar o padre Joseph, homem discreto e que nunca abandonou o hábito cinzento de frade Capuchinho . E como acontece com todas as eminências pardas, nos corredores da intriga palaciana daquela França do século XVII, o poder do padre Joseph sempre circulou, mesmo quando a sua estrela já empalidecia. A real força dessas personagens é difícil de avaliar, pois pressente-se nas decisões do reino mas nem sempre é visível! Mas voltando à entrevista, há um momento que merece alguma reflexão. Miguel de Sousa diz, referindo-se ao Senhor Presidente, " Fui sempre o seu melhor aluno.". Chegados aqui, convém levantar algumas questões a Miguel de Sousa, não vá o diabo tecê-las! Sinto-me desconfortável ao fazer estas perguntas, pois num quotidiano que se deseja democrático, são quase ridículas, quase ofensivas, quase absurdas … Como seu melhor aluno, terá aprendido a rasgar jornais em publico só porque o criticam? Como seu melhor aluno, amanhã chamará "bando de tontos" aos deputados da Assembleia Legislativa da Madeira? Como seu melhor aluno, promoverá a deputado desta região um jovem Presidente da JSD-M pelo dito cujo ter urinado num carro da policia? Como seu melhor aluno, nunca terá a coragem de aceitar um único debate com os seus adversários políticos? Como seu melhor aluno, exigirá ter um jornal diário só para falar bem de si mas que seja escandalosamente pago por todos nós? Como o seu melhor aluno, chamará "traidores" a quem dentro do seu partido lhe disputar o lugar? Como o seu melhor aluno, permitirá algum dia que médicos experientes, considerados interpares, respeitados pela sociedade e que nós os dois bem conhecemos pessoalmente, sejam tratados miseravelmente com o silencio cúmplice do poder político? Quase envergonhado, não seria intelectualmente honesto se escondesse estas perguntas mesmo sabendo, pelo que conheço de Miguel de Sousa, a sua obvia resposta. Mas quando estamos à beira de um novo ciclo no partido que há quarenta anos governa a Região e com novos protagonistas já assumidos, podemos não saber exactamente o que queremos, mas sabemos seguramente o que já não queremos mais. Disputar a liderança de um partido é um gesto nobre de respeito pelo futuro e nunca uma baixa e vil "traição" ao Senhor Presidente. E já agora, que cada candidato venha pelo seu próprio pé e não ao colo do Cardeal Richelieu ou do Padre Joseph. Seria mau para o partido se Lampedusa tivesse razão quando diz que há sempre quem queira mudar alguma coisa para que tudo possa ficar na mesma. Seria mau para a Região se pressentíssemos, na entrevista de Miguel de Sousa, a proposta escorregadia de uma primavera Marcelista. É que Marcelo Caetano também um dia se definiu como um bom aluno do Professor Salazar … e tudo correu mal! Manuel de Brito Médico

que cada candidato venha pelo seu próprio pé e não ao colo do Cardeal Richelieu ou do Padre Joseph...

Foi sem surpresa que li, no jornal "i" de 30 de julho, uma entrevista na qual Miguel de Sousa se assume como candidato à sucessão. Só uma recandidatura (já nada é impossível) do Presidente do Governo Regional poderá conter a vontade de ser presidente " … para criar uma dinâmica que tire a Madeira das dificuldades e pô-la num rumo de algum conforto" conforme refere nessa entrevista.

Nada de novo dirão os mais atentos, pois sempre pairou nas conversas de café que Miguel de Sousa aguardava, pacientemente, este momento, resguardado por um discreto silencio nada a seu jeito. Mas esse distanciamento foi estranhamento quebrado quando, de forma abrupta, afrontou uma provocação de Jaime Ramos. Esta violenta ruptura, há muito enquistada dentro do partido e que caiu na praça pública, não terá acontecido só porque os insultos começaram a andar mal distribuídos.

Tal como se passou na França de Luís XIII, um cardeal de vestes coloridas, palavra fácil e eloquente, parecia concentrar todo o poder do reino. Porém, o Cardeal Richelieu nada decidia sem consultar o padre Joseph, homem discreto e que nunca abandonou o hábito cinzento de frade Capuchinho . E como acontece com todas as eminências pardas, nos corredores da intriga palaciana daquela França do século XVII, o poder do padre Joseph sempre circulou, mesmo quando a sua estrela já empalidecia. A real força dessas personagens é difícil de avaliar, pois pressente-se nas decisões do reino mas nem sempre é visível!

Mas voltando à entrevista, há um momento que merece alguma reflexão.

Miguel de Sousa diz, referindo-se ao Senhor Presidente, " Fui sempre o seu melhor aluno.". Chegados aqui, convém levantar algumas questões a Miguel de Sousa, não vá o diabo tecê-las! Sinto-me desconfortável ao fazer estas perguntas, pois num quotidiano que se deseja democrático, são quase ridículas, quase ofensivas, quase absurdas …

Como seu melhor aluno, terá aprendido a rasgar jornais em publico só porque o criticam?

Como seu melhor aluno, amanhã chamará "bando de tontos" aos deputados da Assembleia Legislativa da Madeira?

Como seu melhor aluno, promoverá a deputado desta região um jovem Presidente da JSD-M pelo dito cujo ter urinado num carro da policia?

Como seu melhor aluno, nunca terá a coragem de aceitar um único debate com os seus adversários políticos?

Como seu melhor aluno, exigirá ter um jornal diário só para falar bem de si mas que seja escandalosamente pago por todos nós?

Como o seu melhor aluno, chamará "traidores" a quem dentro do seu partido lhe disputar o lugar?

Como o seu melhor aluno, permitirá algum dia que médicos experientes, considerados interpares, respeitados pela sociedade e que nós os dois bem conhecemos pessoalmente, sejam tratados miseravelmente com o silencio cúmplice do poder político?

Quase envergonhado, não seria intelectualmente honesto se escondesse estas perguntas mesmo sabendo, pelo que conheço de Miguel de Sousa, a sua obvia resposta. Mas quando estamos à beira de um novo ciclo no partido que há quarenta anos governa a Região e com novos protagonistas já assumidos, podemos não saber exactamente o que queremos, mas sabemos seguramente o que já não queremos mais.

Disputar a liderança de um partido é um gesto nobre de respeito pelo futuro e nunca uma baixa e vil "traição" ao Senhor Presidente. E já agora, que cada candidato venha pelo seu próprio pé e não ao colo do Cardeal Richelieu ou do Padre Joseph.

Seria mau para o partido se Lampedusa tivesse razão quando diz que há sempre quem queira mudar alguma coisa para que tudo possa ficar na mesma.

Seria mau para a Região se pressentíssemos, na entrevista de Miguel de Sousa, a proposta escorregadia de uma primavera Marcelista. É que Marcelo Caetano também um dia se definiu como um bom aluno do Professor Salazar … e tudo correu mal!

Manuel de Brito Médico