Duarte Chaves Vamos recuar até à era colonial e imaginar que, nesse período, já existia o actual campeonato de futebol da Primeira Liga. Na impressa regional dar-se-ia relevo ao começo do campeonato e em particular ao jogo Marítimo-Benfica. Da Liga sairia um comunicado. Esse comunicado provavelmente iria dizer o seguinte: No próximo domingo, a colonia da ilha da Madeira vai receber e confrontar-se com o senhorio de um bairro de Lisboa, de nome Benfica. Relembra a Liga que este campeonato é feito apenas e somente para valorizar e defender o interesse de três senhorios: o de Benfica, o de Alvalade e o do Porto. Assim o apoio massivo dos colonos da Madeira ao senhor de Benfica deverá ocorrer com naturalidade, sem necessidade do recurso ao uso da força. A Liga elogia o comportamento exemplar, e a mensagem que é assim transmitida, pelo presidente do Marítimo, desde almoços de cortesia e vassalagem, a preços de bilhetes muitíssimo acessíveis, a inúmeras borlas e convites e sobretudo ao facto de impedir que no estádio possa existir um sector “Central” de apoio exclusivo ao clube da colónia. Relembra a Liga que existem em Portugal dois casos desviantes, ambos da região do Minho, o da província de Guimarães e mais recente da província de Braga. Ambos serão severamente castigados pois têm tido a ousadia de nestes jogos, de confronto com os senhorios acima mencionados, terem no estádio mais gente apoiar a equipa da sua própria terra. Isso é simplesmente inadmissível e proibitivo. Voltando ao presente, e saindo do comunicado, no próximo Domingo, que pensamentos terá um qualquer madeirense, que goste minimamente da sua terra, perante um estádio cheio a apoiar um clube de fora contra o da sua própria região? Pensará que a mentalidade, o sentimento de inferioridade, de submissão, e de vassalagem que caracterizaram a era colonial, continuam fortemente enraizados e que inconscientemente se manifestam massivamente neste tipo de eventos; terá ele pensamentos desviantes como, por exemplo, o do cão que por mais crescido, belo e autónomo que seja reconhece e é sempre fiel ao seu dono e senhorio; pensará que este é o resultado de uma uniformização e robotização de gostos em torno de três emblemas, de uma autêntica lavagem cerebral sobre cabeças fracas e fortemente influenciadas/manipuladas, levado a cabo por uma nojenta comunicação social, nomeadamente do audiovisual, de Lisboa e do Porto; pensará o porque de este fenómeno de uniformização estar fortemente associado aos países mais atrasados do mundo, na europa os países do sul sobre resgate, Portugal e Grécia. Domingo estarei lá com muito orgulho e vaidade a apoiar o clube da minha terra. Sempre a minha terra, a minha região em primeiro lugar. Viva a Madeira e viva o C.S. Marítimo!