O Portugal político jaz em Agosto, como é hábito. Isto, após um mês alucinante, protagonizado pelo governo PSD/CDS e mantido por Cavaco, que se dúvidas restassem, atesta bem a perversão, de que é feita esta gente a quem confiámos o país. Nestes tempos de profundas incertezas, há porém algo que podemos ter como garantido. O demissionário Gaspar listou-as num retórico acto de contrição. Portas aproveitou a fragilidade, para juntar mais umas plumas aos 12% do seu “rating” eleitoral de 2011. Cavaco observando o fruto podre em queda livre, suspendeu a realidade; invocou os xamãs de Belém e, por cento e sessenta mil euros endossados à República, foi em retiro ao território insular da freguesia funchalense da Sé. Nunca as Ilhas Selvagens testemunharam tanta poluição radioeléctrica. A “salvação nacional” requer linhas seguras com o Criador. Por pouco naquele extremo português, não figurou um memorial evocativo numa placa: “Portugal foi salvo aqui, enquanto Cavaco dormia”. Mas não. Cavaco apenas pernoitou para gáudio dos indígenas e do seu faminto ego. Para já mantemos esta coligação governamental aditivada, pois pior do que o completo descrédito desta gente que engole irrevogabilidades, é a possibilidade das pessoas se manifestarem em eleições. Cavaco atestou um certificado de menoridade, à expressão democrática dos portugueses. Assim, como se viu, mais vale recauchutar esta coligação, que detém uma maioria aritmética; que mantém uma democracia virtual e assim conservar esta formalidade, tão ao gosto da minoria que se empanturra, pois há ainda muito país para desbaratar. Na Madeira o Chão já não levanta tanta poeira. Há uma névoa que tolda os guardiões do regime, naqueles cenários reflectidos nas lâminas de saudação, que precedem a despedida. A vindima da aziaga realidade, já aí vem.

Donato Macedo Lic. Comunicação