Lançaram a ideia dos bens suspensos em estabelecimentos comerciais, o cliente consome e, para além do que consumiu, paga um café, uma sandes ou outra coisa qualquer que irá ser servida a quem lá entrar e não puder pagar. A partir de agora, antes de encomendar, aconselho a perguntar se há alguma coisa suspensa, pode ser que tenha passado ali alguma alma caridosa. Experimente passar no Chão da Lagoa, parece que há 20 mil almoços suspensos e uma dúzia de pessoas ainda à espera do autocarro para o Funchal, depois daquela festa do partido que parece ter a democracia suspensa. Ou no Porto Santo, onde há bolo do caco suspenso em terrenos da Marinha, já que não se pode aproveitar a casa de férias ocupada pelo senhor 31 anos de governo, a acumular a reforma com direito a férias a baixo custo, com família e amigos, preparando terreno para outro acumulador que há-de lá chegar. O mesmo direito a férias que os deputados gozam, com mais uns trocos no bolso porque nós pagamos-lhes os estacionamentos e mais não sei o quê. Será que, com estas borlas de que dispõem, ainda vão pedir qualquer coisa suspensa, não vá alguém se lembrar de cumprir a lei das incompatibilidades que só vigora a mil quilómetros daqui? Quem está também meio suspenso é Bruno Pereira. Parece que a solidariedade do não discurso lhe deu mais créditos do que a M. Albuquerque. Mas isto de falar alto quando já não se pode mexer nas listas para as autárquicas é como beber e fartar vilanagem na herdade, sabendo que a polícia, nesse dia, não vai perguntar a ninguém se bebeu antes de conduzir. E ninguém vai perguntar porque é que um ajuntamento de 20 mil não pode ser fiscalizado, porque é assim mesmo e não se fala mais nisso. Da mesma forma que não se fala mais na “chantagem” vergonhosa no caso de solidariedade com a Rubina, nem se pergunta como é que se deixa prescrever a devolução de tantos milhares de euros que um médico, alegadamente, teria que devolver. Para quem gastou mais de 80 milhões nos últimos quatro anos, são meros tostões que nem merecem atenção. E porque, também, é assim mesmo. Afinal, quem queria um hospital novo?! E enquanto os independentes são marginalizados pelo líder da manta rota, os antes delfins se digladiam em tribunais, não há ninguém que acabe com esta treta das divisões para as autárquicas. São listas e listas de “vira-casacas”, muito bem orquestrados, que vão acabar por roubar os votos de um povo revoltado e dar cabo do resto da oposição, mesmo que sejam todos Funchal, fofos ou não, com direito ao mar ou só até ao calhau. E podem passear pelo porto, a desviar dos bombardeamentos das gaivotas e com uma “mola” no nariz, por entre mangas luxuosas e que nunca funcionaram, que isto vai dar tudo no mesmo. Continuarão a ser políticos, de partidos que recebem subvenções e jackpots para desbaratar na “compra” de votos com jantaradas, viagens, canetas e aventais. E acaba quase tudo na grande dúvida do ser eleito para (se) servir à mistura com rendas vitalícias e subsídios de reintegração. E porquê? Porque é assim mesmo e, se não for assim, deixa-se prescrever.

Paulo Gomes