Em arranque oficial da silly season proponho um ‘swap’ na política regional. Estão na moda e tudo. Seriam de alto risco para a classe e baixo para a população. Assim uma espécie de colocar os políticos a fazer uma coisa muito em voga que é brincar aos pobrezinhos, como diria a Espírito Santo arrependida, ou, para não ferir susceptibilidades, a brincar ao cidadão comum, que por norma, não nos enganemos, é pobre. Tinham hipótese de ‘descansar’, que também merecem...

Começar é que seria difícil. Mas façamos uma tentativa. Em vez de irem se pavonear para a festa na reflorestada a fins comunitários herdade no Chão da Lagoa, os laranjas, os laranjinhas e as laranjetes iriam para a estrada fazer de força de segurança. Assim como assim é fechar os olhos e deixar andar. Não faz mal que haja acidentes, bêbados ao volante, ou que a segurança esteja em causa. Não vale a pena torcer o nariz, que um dia não são dias e já toda a gente sabe que esta é uma terra de excepções excepcionais. Chatinhos.

As polícias podiam ir para o palco da herdade. E já agora que levassem professores, desempregados, pequenos empresários em dificuldades, que também têm por certo muito a dizer sobre a situação do país, da Região e a sua própria. Assim sem medos, diz que a poncha desinibe. Depois era só apontar o dedo a culpados, cantar o quem é que não acha e cortar o pio a alguém que queira falar mais alto que nós.

Os laranjas, laranjinhas e laranjetes não precisam ficar tristes. Lá por estarem a brincar de polícia não quer dizer que não possam levar os lindos modelitos do costume. Eles de polo laranja, elas de t-shirt da mesma cor ou branca a contrastar com os assessórios comprados para a ocasião. Até podem continuar a postar fotos nas redes, identificar e ser identificado, não vá o chefe da polícia achar que houve baldas ao beija-mão anual. Os de terceira linha que aparecem tipo emplastros nas fotos de grupo tinham que ir para o serviço de limpeza, ou seja, substituir aqueles senhores que também vestem laranja e limpam a porcaria deixada.

E já agora também vamos fazer diferente no que toca a férias. A Casa do Porto Santo podia ser local de veraneio para famílias em dificuldades e o campismo da ilha dourada serviria a classe política. Povo ao bar do Henrique, com cobertura exclusiva do Jornal da Madeira, governantes e ex-governantes concentrados junto às lambecas. E os secretários e delfins que não tivessem condições de dar um pulinho à ilha dourada, que o ano é de crise e o subsídio ainda não veio, é desfrutar das belas praias da Região, dar um passeio ao cabo Girão, que aquilo está muito lindo, e comprar um saquinho de tremoços à beira da estrada para acabar em beleza.

Seria da mais elementar justiça. O povo estaria a trabalhar, que diz que é o que o Governo faz no Porto Santo. A trabalhar no jackpot parlamentar, nas incompatibilidade dos deputados e titulares de cargos públicos, na revisão do Estatuto Político- Administrativo, para acabar com acumulação de pensões e vencimentos, a renegociar as PPP’s e, claro, em arranjar solução para o Jornal da Madeira e RTP. É que o Governo está cansado e precisa de quem o alivie em tão importantes tarefas, que estão há anos em na agenda sem que se avance nada. Curiosamente, não têm lugar no palco da festa da herdade... Ele há coisas...

Boas férias!