Ficar doente é uma aventura num contexto de carência de recursos em que não se vislumbram soluções rápidas e duradouras Ao observar a governação do serviço regional de saúde nos últimos anos, não podemos descontextualizar da situação, financeira, económica e social que a Região, o País e a Europa estão a atravessar. Num momento destes, seria expetável esperar de quem governa a saúde na região, uma postura proativa, clara e integradora que em conjunto com os vários atores permitisse refletir e congregar habilidades, no sentido de evitar maiores consequências para a saúde dos cidadãos. Situações que se não forem prevenidas a tempo terão impactos negativos imprevisíveis a médio e longo prazo. A saúde é um fenómeno multidimensional, multideterminado, resultado de um equilíbrio dinâmico de fatores, internos e externos a cada indivíduo. Face a esta complexidade os profissionais de saúde são elementos fundamentais nas estratégias a desenvolver evitando a deterioração da qualidade e a diminuição da segurança dos serviços e dos cuidados de saúde a prestar. Não é num ambiente de quase permanente confronto, conflitualidade, desmotivação e ate em muitos casos de revolta que haverá qualquer mudança concreta e adequada, que produza resultados positivos para os cidadãos, se não houver em primeiro lugar um pensamento estratégico e explicito do que se quer para o Serviço Regional de Saúde. O clima de discriminação salarial entre enfermeiros, as arrestas vindas a público nos últimos dias, as crónicas dívidas a fornecedores com a consequente diminuição ou ausência de provisões de material, medicamentos e bens essenciais nos serviços, têm conduzido os profissionais de saúde, particularmente os enfermeiros a descobrir alternativas e estratégias só possíveis com profissionalismo e reconhecidas competências, que preservando as boas práticas, minimizam os efeitos da crise na prestação dos cuidados de saúde junto dos utentes e suas famílias. Em vez de uma gestão racional, a austeridade tem conduzido os serviços para uma gestão de racionamento. Isto significa que atualmente todos os serviços estão a ter cada vez mais dificuldade em dar as respostas que os utentes precisam e tem direito. Os serviços de saúde, têm hoje menos enfermeiros que em 2009, havendo uma evidente redução do número de horas de cuidados disponibilizados. Apesar desta carência os enfermeiros continuam a assegurar a prestação contínua de cuidados, a trabalharem por turnos e a proporcionar momentos de conforto em ambientes desfavoráveis ao exercício da profissão. Sobrecarregados e pressionados a concretizar objetivos, estão a ficar cansados e mais sujeitos a riscos físicos e psicológicos. Ficar doente é uma aventura num contexto de carência de recursos em que não se vislumbram soluções rápidas e duradouras. Neste contexto os enfermeiros deverão continuar a intervir de forma a defender os serviços públicos de saúde e consequentemente o direito à proteção na saúde. Juan Carvalho
Ficar doente é uma aventura num contexto de carência de recursos em que não se vislumbram soluções rápidas e duradouras
Ao observar a governação do serviço regional de saúde nos últimos anos, não podemos descontextualizar da situação, financeira, económica e social que a Região, o País e a Europa estão a atravessar.
Num momento destes, seria expetável esperar de quem governa a saúde na região, uma postura proativa, clara e integradora que em conjunto com os vários atores permitisse refletir e congregar habilidades, no sentido de evitar maiores consequências para a saúde dos cidadãos. Situações que se não forem prevenidas a tempo terão impactos negativos imprevisíveis a médio e longo prazo.
A saúde é um fenómeno multidimensional, multideterminado, resultado de um equilíbrio dinâmico de fatores, internos e externos a cada indivíduo. Face a esta complexidade os profissionais de saúde são elementos fundamentais nas estratégias a desenvolver evitando a deterioração da qualidade e a diminuição da segurança dos serviços e dos cuidados de saúde a prestar.
Não é num ambiente de quase permanente confronto, conflitualidade, desmotivação e ate em muitos casos de revolta que haverá qualquer mudança concreta e adequada, que produza resultados positivos para os cidadãos, se não houver em primeiro lugar um pensamento estratégico e explicito do que se quer para o Serviço Regional de Saúde.
O clima de discriminação salarial entre enfermeiros, as arrestas vindas a público nos últimos dias, as crónicas dívidas a fornecedores com a consequente diminuição ou ausência de provisões de material, medicamentos e bens essenciais nos serviços, têm conduzido os profissionais de saúde, particularmente os enfermeiros a descobrir alternativas e estratégias só possíveis com profissionalismo e reconhecidas competências, que preservando as boas práticas, minimizam os efeitos da crise na prestação dos cuidados de saúde junto dos utentes e suas famílias. Em vez de uma gestão racional, a austeridade tem conduzido os serviços para uma gestão de racionamento. Isto significa que atualmente todos os serviços estão a ter cada vez mais dificuldade em dar as respostas que os utentes precisam e tem direito.
Os serviços de saúde, têm hoje menos enfermeiros que em 2009, havendo uma evidente redução do número de horas de cuidados disponibilizados. Apesar desta carência os enfermeiros continuam a assegurar a prestação contínua de cuidados, a trabalharem por turnos e a proporcionar momentos de conforto em ambientes desfavoráveis ao exercício da profissão. Sobrecarregados e pressionados a concretizar objetivos, estão a ficar cansados e mais sujeitos a riscos físicos e psicológicos.
Ficar doente é uma aventura num contexto de carência de recursos em que não se vislumbram soluções rápidas e duradouras. Neste contexto os enfermeiros deverão continuar a intervir de forma a defender os serviços públicos de saúde e consequentemente o direito à proteção na saúde.
Juan Carvalho