Se a demissão do Ministro Vitor Gaspar era previsível face à perda de credibilidade que vinha revelando e perante o desacerto de políticas e de previsões continuamente desajustadas da realidade, a do Ministro Paulo Portas apanhou-nos desprevenidos, embora há muito se perspectivava este cenário decorrente das divergências cada vez maiores entre o próprio e o Primeiro -Ministro.
Eis que surge um volte face com o recuo de Paulo Portas e a sua manutenção no governo embora com outras funções.
Assistimos a tristes episódios que nada dignificam os seus intérpretes e que acarretaram elevados prejuízos para as contas públicas.
Sabia-se que o governo caminhava a passos largos para o seu fim, na medida em que falharam todas as medidas políticas preconizadas que agravaram duma forma significativa a vida dos portugueses sem resultados palpáveis.
Embora o primeiro-ministro nos queira fazer transmitir que o país está no bom caminho, o certo é que estamos cada vez pior, a recessão económica continua, o desemprego mantém-se a níveis altíssimos, a pobreza aumenta e o poder de compra dos portugueses vai deteriorando-se dia após dia.
Estamos numa encruzilhada que exige bom senso e uma actuação política hábil mas firme que salvaguarde os interesses dos portugueses e do país.
Receio bem que esta reformulação da coligação nos possa trazer aquilo que precisamos ou seja dum governo forte, competente, credível que seja capaz nos conduzir no bom caminho e que saiba aproveitar todos os imensos sacrifícios que os portugueses têm vindo a fazer nos últimos três anos.
Avançar com medidas precipitadas que, em nada irão resolver a nossa situação e que custarão mais despesa ao erário público, será inútil e inconsequente, uma vez que não podemos esquecer que dependemos da Troika até junho de 2014 e que será esta, infelizmente, a ditar as regras do jogo.
O que está em causa não é mudar pessoas por pessoas mas sim novas políticas capazes de relançar a nossa economia, combater o flagelo do desemprego e aliviar significativamente a austeridade que nos foi imposta duma forma cruel.
Será mais uma perda de tempo e o continuar da nossa agonia se não forem tomadas as medidas mais adequadas ao momento actual que nos permitam arrepiar caminho.
José Manuel Oliveira