Falar sobre este instrumento é recordar os nossos tempos de juventude e os milhares de serviços que fizemos, um pouco por toda esta Região, tocando este instrumento nas principais festas das várias Paróquias. Recordar os grupos com quem partilhámos esses momentos fascinantes que incluíam colegas instrumentistas e cantores da melhor qualidade. Alguns já partiram mas continuam, para sempre, no nosso coração. Sempre que chegávamos a uma dessas grandes festas, as pessoas já nos vinham cumprimentar e elogiar as nossas interpretações. Recordamos alguns Párocos que, em pleno altar, choravam ao ouvirem interpretar obras religiosas de grandes autores que não ouviam desde os seus tempos de Seminário. Enfim, fantásticas recordações… Mas o que nos leva a escrever este artigo é louvar o papel da DRAC na recuperação dos nossos Órgãos Históricos. Há dias pudemos assistir a mais uma estreia, desta vez do Órgão da Igreja de Santa Luzia. Com este, penso serem já nove os que estão ao serviço da cultura e das celebrações litúrgicas: 6 no Funchal; 2 em Machico e 1 na Ponta do Sol. Em boa hora foi criado o Festival de Órgão da Madeira que se realiza entre outubro e novembro de cada ano que enche as Igrejas de público. Aliás, um fenómeno ainda por explicar deviamente. Mas, já que o público adere de forma maciça a estes eventos, porque não programar concertos ao longo de todo o ano, utilizando os dois organistas profissionais que residem na Madeira e lecionam no Conservatório, bem como alunos finalista de Órgão. Assim teríamos mais oportunidades de ouvir estes instrumentos e por outro lado seria importante para a sua preservação, pois necessitam ser tocados com frequência. Aqui fica o repto a quem de direito

Carlos Gonçalves Docente do Ensino Superior