Duarte Olim Chegados ao período pré-eleitoral, é tempo dos candidatos autárquicos apresentarem programa com propostas para o Concelho. Por conseguinte, era importante clarificar e também questionar que estratégias preconizam para a promenade dos Reis Magos. Antes de iniciar esta reflexão, é importante notar que este passeio/promenade acolhe diariamente centenas de pessoas, na sua maioria, na busca de um passeio aprazível e, de forma crescente, pessoas que aproveitam as suas condições para fazer caminhada, marcha e corrida. Além disso, sendo o “logradouro” de duas importantes unidades hoteleiras, são inúmeros os turistas que fruem do entardecer naquele passeio que embevece na alvorada e deleita no ocaso, permitindo um olhar desafogado para o litoral, para a ondulação e para o calhau que ainda permanece como identitário da nossa singularidade. Se o Caniço tem uma população residente de mais de 40 mil habitantes, este espaço afigura-se o ÚNICO para a prática deste tipo de actividades em condições de segurança. A presente reflexão visa questionar o seguinte: conhecendo-se a importância desta promenade para o bem-estar da população do Caniço, não vos parece um absurdo organizar neste mesmo espaço um evento gastronómico conhecido como “noites da promenade”, que nada acrescenta à gastronomia regional e que, por cerca de um mês (com montagem e desmontagem de barracas), priva as centenas de usurários daquele espaço, do comprazimento daquele passeio? Alguém consegue perceber o impacte que semelhante evento tem naquele local, contabilizado por inúmeras garrafas de cerveja atiradas ao calhau, os cheiros nauseabundos de comidas, fritos e gorduras que se entranham no passeio e escorrimentos que vertem na praia, e que, no pós-evento, conspurcam aquele local, sem contabilizar os estragos no passeio e os lixos em todas as imediações? Se aquela promenade está, de acordo com o que se observa, vocacionada para o passeio de famílias, para a marcha, para a corrida, não deveria prevalecer este conceito de utilização? Não será um imperativo de uma sociedade desenvolvida promover a prática de exercício para contribuir para uma população mais saudável, com óbvias poupanças na saúde pública? Depois resta-me questionar até quando irá permanecer uma construção em madeira, na extremidade da referida promenade, que ali empesta aquele passeio e comprime-o ainda mais, como o vão tentando fazer os avanços da esplanada de um bar local? É que se a população do Caniço está refém daquele espaço para a prática desportiva ao ar livre, a continuar assim, pergunto: algum candidato à Autarquia já pensou em dotar o Caniço de algum parque verde ou espaço que devolva à população, condições para estas actividades? É que, insistir em eventos exclusivamente para comensais, afigura-se descabido e revelador de pouca visão, até porque a sociedade evoluiu e a adaptação aos novos tempos é um imperativo a quem faz política.