Todos nós nos lembramos do contexto em que Passos Coelho ganhou as eleições e também da cerimónia, cheia de pompa e circunstância, na qual foi rubricado o acordo de governação com o CDS de Paulo Portas. A vida corria-lhes bem, o País estava em boas mãos, pensavam os portugueses que os elegeram, mas rapidamente se percebeu a matriz das políticas que iriam implementar. Era necessária a consolidação orçamental a par de todo um conjunto de exigências da troika para que o dinheirinho fosse sendo desbloqueado e então nada melhor do que aumentar a dosagem dos remédios para que o doente, no caso Portugal, ficasse bom mais depressa. Passos Coelho e Paulo Portas esqueceram-se, porém, que o país podendo não morrer do mal poderia vir a morrer da cura de austeridade que aniquilou a economia, faliu milhares de empresas e atirou para o desemprego milhares e milhares de portugueses, naquela que é sem dúvida a maior crise socioeconómica depois de Abril de 1974. Perante isto rolaram cabeças e começaram as dissimulações e chantagens de PP que somadas às manifestas insuficiências de Passos Coelho convergiram num Governo de demitidos e de demissionários. Portas fez birra, deixou o Governo de forma “irrevogável”, durante 48 horas. Estou em crer que com umas conversinhas e uma milhada com Passos Coelho, Portas reforçará a sua a posição no tal executivo que acabou de deixar para não mais voltar. Trapalhadas que o Sr. Presidente da República deveria resolver não fora a sua partidarite. Temos um Governo em coma profundo e um país deprimido. Siga o funeral!

Jaime Leandro Secretário-geral do PS-M