Surgiu envolto num manto doirado proeminente. Esbelto, boa apresentação, tímido mas confiante em que tudo valeria para conseguir os fins. Ela, uma jovem linda, voluptuosa, cheia de esperança mas ingénua deixou-se cativar por aquele brilho sedutor no olhar matreiro. Aceitou-o sem reservas mas logo começou a desviar-se do ideal puro e nobre que havia traçado para o bem comum. O sedutor depressa a subjugou por força do dinheiro. Hoje o divórcio é eminente porque valores morais jamais se reconciliarão com valores materiais. Esta metáfora pretende, em poucas palavras, resumir a história da Democracia condenada ao fracasso porque se deixou seduzir e hoje é escrava do poder financeiro que estrangula todos os sectores da vida social e económica. Parafraseando Wiston Churchil “ a democracia é o pior de todos os sistemas com exceção de todos os outros. Ele previu que a ganância dos políticos incompetentes e corruptos acabariam por empurra-la para uma morte sem glória. Já ninguém duvida que as crises são estrategicamente fomentadas e planeadas, ao pormenor, pelo poder desmesurado dos grandes holdings que começam agora a aperceber-se que o empobrecimento das classes sociais é um sério obstáculo ao desenvolvimento e põem em perigo constante a estabilidade social. Já nem faz sentido eleger governos democraticamente uma vez que estes são apenas marionetas nas mãos dos poderosos onde proliferam as máfias, os agiotas e os corruptos todos eles contribuintes líquidos para perverter a ingénua Democracia. Para onde caminha esta Europa periclitante asfixiada por dívidas impagáveis onde jamais poderá haver uma economia estável e saudável. O Portugal atual personifica uma farsa em que uma coligação PSD/CDS apenas serve para gerir os interesses económicos de uma gigantesca associação de capitais: FMI, BCE, CE e Golden Saches que, sem o mínimo pudor, estrangula uma frágil economia como a nossa onde apenas a demissão “irreversível” do irresponsável e oportunista ministro Paulo Portas, em apenas um dia, custou a este país depauperado, três mil e oitocentos milhões de euros em juros. São estes governantes que juram defender o país e a população? Já quero acreditar que Passos Coelho, Paulo Portas e Cavaco Silva estão a entregar o país às “Eurobonds” para que mais ninguém possa governa-lo já que qualquer Governo que venha a seguir dependerá, para sempre, das tranches da “Troika” e assim, tal como desejava Manuela F.Leite, suspende-se o exercício da Democracia. Não se pode entregar todo o poder aos especuladores privados sem escrúpulos, tal como a saúde, o ensino e os combustíveis, factores essenciais ao desenvolvimento de toda a economia. Isto já não é o mercado livre a funcionar, é uma feroz ditadura de mercado onde agora até querem controlar a S. Social (consultem o D.R . 1ª serie nº 125, pag. 3882 –3 de 2 julho 13) com o acordo do anterior Ministro Victor Gaspar. Se os mercados estão sujeitos às regras da democracia, jamais deveiam sobrepor-se a esta. Porém tudo isto é permitido porque alguns políticos incompetentes envergonham o cargo que ocupam colocando em causa o próprio sistema .A doença deste sistema político não é irreversível mas a sua cura terá que começar dentro dos próprios partidos. Mia Couto, num momento de inspiração, teve uma frase ilustrativa sobre a nossa vivência democrática “a maior desgraça de uma nação é produzir ricos em vez de riqueza. Para consumo interno temos também uns iluminados políticos, imitando os “ditadorzecos”, que também viram na tal jovem ingénua (Democracia) um meio de iludir a população, enriquecer, enriquecer os amigos e se perpetuarem no poder. Acreditaram que ao ganharem umas eleições passaram a ser donos e senhores de uma terra e de um povo permitindo-se hipotecar o seu destino. O Sr. Presidente do Governo Regional é o testemunho vivo daquilo que não se deve fazer para preservar a Democracia. Atolou a região em dívidas em benefício de alguns e agora não faz a mais pequena ideia de como sair disto porque nunca soube governar e muito menos governar sem dinheiro. Depois de fazer da Madeira uma grande fábrica de miséria passa a vida a viajar e nem se preocupa dirigir uma palavra de esperança a uma população desesperada que, ingenuamente, lhe alimentou os vícios do poder. No pouco tempo que passa cá dentro, ansiando algum tempo de antena que lhe escapa, corre a inaugurar qualquer “boteco” para continuar a tentar convencer-nos que a culpa de tudo foi sempre dos outros. Ainda no principio deste mês, numa inauguração em Câmara de Lobos, afirmava que a oposição havia perdido o juízo. Será que o dr. Jardim já parou para pensar o que tem sido a sua governação e nas asneira que fez durante estes 36 anos de Governo em perfeita sintonia com as Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia, comandadas sub-reptíciamente pelos paus mandados do seu partido? Esbanjaram o que tinham mais o que não tinham continuando teimosamente a inaugurar obras que logo fecham por falta de dinheiro para manutenção, Marinas fantasmas agora convertidas em centros de recreio (?), parques desportivos abandonados, Sociedades de desenvolvimento falidas, heliportos sem utilidade, 11mil euros teimosamente esbanjados no Jornal do regime. Perante tantos disparates o Governo do Dr. Jardim perdeu a credibilidade interna e externa e até acabou por perder a autonomia . Afinal quem foi que perdeu o juízo?
Réquiem pela Democracia
Já ninguém duvida que as crises são estrategicamente fomentadas e planeadas