A recente notícia do violento, brutal e frio abate a tiro de espingarda de 12 cabras, algumas com crias pequenas, outras prenhes, a dias de darem à luz, num terreno baldio de tabaibos e erva seca, onde não consta que existam plantas endémicas e laurissilva... (D.N. de 27/07/13), motiva-me as seguintes reflexões gerais: Alguns dos mais avançados pensadores no campo, ainda completamente árido em Portugal, da Ética Ambiental, como Tom Regan e Michael Zimmerman, têm avisado para os perigos de um ‘management’ ecológico, desprovido de preocupações éticas, de respeito pelas vidas de seres sencientes, como são os animais, sem compaixão, e sem ser guiado por métodos pacifistas e não-letais de gestão ecossistêmica (e esses métodos existem, codificados pelo movimento da Ecologia de Reconciliação), poder degenerar no que chamam de ‘Ecofascismo’. De facto, do mesmo modo essencial de que para o fascismo político as vidas concretas e individuais são menos relevantes, e podem ser sacrificadas, face a um “todo” abstracto, mais ou menos mitificado, como a “Nação”, ou a “Raça”, para os ecofascistas as vidas concretas e individuais de seres vivos sencientes, desde que, subjectivamente (pela arrogante ‘subjectividade’ antropocêntrica), julgadas “incómodas” a uma ideia mitificada de um ecossistema “puro”, “intocado” e “prístino” (que na natureza, onde só pode haver misturas, não existe) podem ser violentamente erradicadas e sacrificadas. Como ecologista pacifista e biocentrista, gostaria de ver um quinto do mesmo zelo extremo, e sempre pronta diligência, com que os guardas florestais andam por aí, de espingarda em riste, à cata de pobres cabras “ilegais”, fosse utilizado a apanhar os incendiários, que nunca são apanhados, ou ficam sempre impunes, que, esses sim, prejudicam gravemente a biodiversidade da nossa terra.

Miguel Santos Cooperante da “Espaço às Artes - Cultura Ponto Zero”