Carla Andrade Incomoda-me. Incomoda-me ver diariamente crianças, adolescentes e jovens a escreverem, ou melhor, a não escreverem como deve de ser. Às vezes questiono-me o que muitos deles andam a fazer na escola, se é que foi lá que (não) aprenderam a escrever de forma aterradora e preocupante. Erros, que não são meros lapsos, embora que por vezes sejam de louvar de tão mal escritos, é preciso ter imaginação, tenho de admitir. Distorcer um simples e genuíno “mas” (Designativa de oposição) em um “mais” (”É uma escola, mais não é uma escola normal”). Tentar ser insurrecto(a) e, por essa razão, usar palavras como caraças, isto é “carasas”; deixar para trás o fiel acento que dá significado à palavra. São erros que dizem estar em voga, já que muitos pensam ser giro e moderno escrever de forma distinta como substituir o comum “é” em “ ’e”. Se calhar são pessoas que têm a tecla do acento estragada. Acredito piamente que o Sr. Luís de Camões, com toda a razão, ande às voltas no caixão ao ver a língua portuguesa ser morta paulatinamente. Se são, de facto, os mais pequenos o leme da embarcação, posso supor que estamos a ir pela rota errada. É, incomoda-me.