Longe vão os faustosos mares em que o desporto madeirense navegava. A Madeira, perdida no meio do Atlântico, levada pelos ventos e marés da crise, afasta-se cada vez mais da Europa. O CS Madeira abdicou da sua participação europeia, no voleibol feminino, a que legitimamente tinha direito, por via da impossibilidade financeira para viajar. O Rali Vinho Madeira, ostracizado por aqueles que outrora tanto o louvaram, agoniza, fazendo lembrar aqueles jornais e publicações periódicas, entretanto encerradas, mas que fazem sair uma publicação anual apenas para manter o título. Uma prova atirada para uma qualquer inexpressiva Taça da Europa e que muito dificilmente voltará a recuperar a pujança que tinha. Ah, subsiste o golfe, pois é!
Por falar em Europa, mas ao nível do futebol profissional que, na Madeira, vem fazendo milagres de multiplicação para manter os seus clubes ainda com alguma pujança, é louvável que Marítimo e Nacional persistam no objectivo europeu, nas palavras dos seus responsáveis. Mas, se é bom que o discurso destes clubes seja ambicioso, alicerçando os seus objectivos num estatuto conquistado no futebol português, será, quiçá, mais prudente preparar os adeptos, para o que aí vem, cada vez com os apoios públicos mais distantes.
É que estatutos não são garante de nada. Se o Nacional, que ainda mantém uma base dos últimos anos (a não sair mais ninguém), mesmo que denunciando alguns desequilíbrios no seu plantel, pode ainda manter essa ambição (caso a SAD nacionalista vá com o processo de licenciamento na UEFA até ao fim…), já na situação maritimista, até ver, a coisa fia mais fino. Poder-se-á argumentar que a Liga ficará mais fraca e mais competitiva por baixo (decididamente do 4º lugar para baixo assim será, numa amalgama de Europa com manutenção), mas um facto é que as equipas, nomeadamente aquelas que mais logicamente poderão lutar pelo 5º lugar, se viram sair muita gente, em compensação recrutaram-se razoavelmente bem. O Marítimo, recorde-se, voltou a perder (muitas) pedras influentes, ainda não colmatadas como desejaria. A esperança volta a estar no recrutamento à equipa B, onde Pedro Martins tem feito pequenos milagres.
Ainda anda tudo muito misturado, o mercado, de uma forma aberrante, manter-se-á aberto até ao final de Agosto, e muita coisa pode acontecer. Mas, quando se fala em Europa, é melhor ter alguma calma e ponderação.
Emanuel Rosa