N a antecâmara de mais umas eleições autárquicas, 70 candidaturas independentes já se apresentaram ao escrutínio popular do dia 29 de Setembro. Recuando a 2009, aquando das últimas eleições, o número de candidatos independentes cifrava-se em 54, um fenómeno em claro sentido ascendente. Quem são, então, estes candidatos independentes? De candidatos sem militância partidária, mas com apoio dos partidos, passando por candidatos militantes de partidos mas sem apoio dos mesmos. Facto inegável, é que poucos são aqueles candidatos com génese em movimentos cívicos apartidários. Ora, se a maioria dos ditos independentes continua ligada a estruturas partidárias, isto diz-nos que os partidos políticos ainda são formas válidas de representação dos eleitores, enquanto simples organizações de cidadãos com matrizes ideológicas semelhantes. O mesmo não será necessariamente verdade, quanto à sua forma de organização interna, nomeadamente quanto ao processo de escolha de candidaturas a cargos públicos. Não devem os partidos reduzir estas candidaturas a manobras de mero ressentimento político, mas ver nelas uma oportunidade para ultrapassar o rótulo de estruturas burocráticas fechadas, que tantas vezes lhes é atribuído. É esta a tão badalada abertura dos partidos à sociedade civil, cujo primeiro passo passaria pela implementação de eleições primárias internas, como processo de selecção de candidatos. Desta, ou de outra forma, caberá aos partidos e aos seus militantes optarem pela evolução, adaptando-se às novas exigências da sociedade.