Umas largas semanas atrás, tive o privilégio de ouvir um Professor Universitário madeirense dissertar sobre a “Confiança”, no desenrolar duma festa aniversariante de uma empresa madeirense com projecção mundial. Conferência muito interessante, muito oportuna, ... com muita “destreza” nas palavras e no raciocínio - o Professor agradou a muita gente na sala. E chamou-me particularmente á atenção a proximidade da confiança á sua antagónica mais directa - a desconfiança - uma e outra parecem assim tão perto ... quase se confundindo, quando afinal são na realidade tradicional, diametralmente opostas. Podemos passar duma para a outra num abrir e fechar de olhos, basta haver uma justificada razão ou até uma infundada suspeita. A desconfiança pode ter origem num simples boato ou em vários boatos conjuntos, que podem ser usados com intenção e depois colher frutos ... e poder sancionar com dolo - dolo, abusadamente introduzido nestas circunstâncias. Vivemos num contexto, onde, com imensa facilidade, se desconfia e se receia - numa sociedade, especialmente hipersensível e hiperinstável, a sofrer os efeitos dum desnorte misterioso e planetário. Aquela expressão popular - “Ponho a minha mão no fogo” por isto ou aquilo ... deixou de existir! Já ninguém põe a mão no fogo por nada deste mundo ... nem com uma luva de kevlar vestida até á cabeça! E podemos chegar ao extremo ponto de ultrapassar o estadio da desconfiança e passar ao da anti-confiança - ponto este, em que já nem desejamos ser questionados, na prespectiva de reconhecer confiança para isto ... ou para aquilo. Podemos entrar numa fase de - não participar, não falar, não querer saber, ficando em regime expectante e defensivo, pouco ou nada colaborante. Exactamente a anti-confiança! Não estamos a confiar no Estado! Não estamos a confiar nos Bancos! Não estamos a confiar na Justiça! E só aqui já vão três! E que três!!! Estamos a viver com um diagnóstico provisório - como se utiliza em linguagem médica - não se sabe qual é a doença, e consequentemente não se sabe qual é a cura. Vamos tomando uns medicamentos paliativos, fazendo umas análises de vez em quando, ... e vamos olhando para o fundo da sanita, todos os dias ... para ver se o cocó vem preto ou se o chi-chi saiu vermelho - e se houver um destes casos,... ajuda a fazer o diagnóstico - o diagnóstico definitivo. Que sina a nossa! E ainda temos de digerir os comentaristas, que questionam os valores sobrenaturais e o peso específico das nossas Santas Padroeiras, com papel protector na vida e na economia! Nesta salada russa em que estamos metidos, com alterações dos déficits de minuto a minuto, com o reconhecimento “gratuito” de falhas técnicas na avaliação da dívida grega e quem sabe também da nossa, com tanto sinal de incompetências ou irresponsabilidades no governo europeu, no FMI, no BCE ... e se todo este mal-estar gerado é da responsabilidade de TODOS os partidos, ainda não percebi, porque há alguns deles designados de oposição! De oposição a quê e a quem? Não devemos estar todos unidos, em mútuo acordo, para resolver os déficits, os problemas e o futuro? Estes auto-designados opositores, conhecem alguma fórmula química “secreta” da poção mágica - cedida por um druída - para nos salvar a todos? Porque não a usaram antes, para salvar ... por exemplo o BPN? Ou para desarmadilhar o País e as suas PPP´s? A confiança, funciona como uma plataforma de segurança entre as pessoas, que as incentiva a tomar decisões, a tomar medidas, que depois farão mover as tais roldanas da vida e da economia, com repercussões positivas recíprocas, nos seus múltiplos intervenientes. Se houver desconfiança não vamos a lado nenhum! E pior será, se existir um clima de anti-confiança! P.S. Os amigos não morrem, jamais! Até sempre, amigo Zé Jorge!

José Manuel Morna Ramos